14 de outubro de 2026

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ADM aposta em bioenergia para virar líder no agronegócio brasileiro

Agronegócio Bioenergia 14/10/2026 07:40 Alessandra Mello, AgFeed agfeed.com.br São Paulo SP

Presidente da ADM na América do Sul explica como a multinacional pretende sair da exportação de grãos para focar em produtos de maior valor, como biodiesel e etanol, aproveitando as oportunidades do mercado nacional.

John Grossmann, diretor de serviços agrícolas e oleaginosas da ADM para a América do Sul, revelou em entrevista ao videocast AgLíderes que a empresa tem um objetivo claro: transformar sua forte presença em grãos no Brasil em uma liderança global em bioenergia e valor agregado.

Embora a ADM tenha 124 anos de história global, a chegada ao Brasil ocorreu apenas em 1997. Grossmann, que é gaúcho e entrou na empresa logo no início das operações locais, conta que hoje a companhia emprega 7 mil colaboradores no país e mais de 40 mil no mundo.

  • A ADM chegou ao Brasil em 1997 e hoje tem 7 mil funcionários no país.
  • O presidente da região é John Grossmann, um gaúcho que viveu 22 anos fora do Brasil.
  • A meta da empresa é mudar o foco de exportar grãos para produzir biodiesel e etanol.
  • A ADM foi a primeira grande trading a investir em biodiesel no Brasil, em 2008.
  • O Brasil importa 30% do diesel que consome, o que gera grande oportunidade para o setor.

Estratégia de valor agregado

Grossmann explica que dois terços dos negócios da ADM na região ainda são de exportação de grãos, como soja e milho. Um terço vem da agroindústria, que no Brasil se destaca no processamento da soja para farelo, óleo, glicerina e biodiesel. A nova missão é expandir esse último segmento para alcançar o topo do mercado global.

O executivo afirma que o reconhecimento do papel do Brasil na estratégia global da ADM é crucial. A liderança agrícola já existe, ela precisa virar uma liderança em bioenergia, em valor agregado, ressaltou. Essa mudança de mentalidade é o motor do plano de crescimento da empresa no continente sul-americano.

Investimento em biocombustíveis

Com o Brasil importando cerca de 30% do diesel que consome, Grossmann vê no biodiesel uma área de grande atenção e carinho. A empresa espera alcançar novo recorde de processamento de soja este ano, seguindo a marca recorde de 5,4 milhões de toneladas registrada em 2025.

Para crescer, a ADM considera o desenvolvimento orgânico, aumentando a capacidade de moagem, e a possibilidade de fusões e aquisições. No entanto, o executivo critica a falta de previsibilidade na legislação, especificamente a demora na implementação do B16 (mista obrigatória de 16% de biodiesel), mas garante que, quando isso ocorrer, certamente faria sentido investir.

Etanol de milho e mercado externo

O diretor também confirmou que o etanol de milho é um core business da ADM nos Estados Unidos, onde a empresa é um dos maiores processadores. Grossmann admitiu que está prestando muita atenção ao setor no Brasil, embora tenha evitado detalhar planos específicos de investimento imediato.

Além da energia, a entrevista abordou a perspectiva para as exportações de soja, o esforço da China para reduzir a dependência do grão brasileiro e o avanço da ADM no mercado de insumos, sustentado pela prática de barter (troca de commodities por produtos industriais). A entrevista completa está disponível nas plataformas de streaming da AgFeed.