A indústria de alimentos brasileira bateu recorde de faturamento em 2025, mas a fiscalização rigorosa da Anvisa e do Mapa exige o uso de graxas e óleos grau alimentício H1. O uso de lubrificantes industriais comuns em áreas de produção pode gerar não conformidades e multas, impulsionando o crescimento do mercado de lubrificantes especiais certificados para evitar riscos à saúde e manter a reputação das empresas.
Em 2025, a indústria de alimentos brasileira atingiu a marca histórica de R$ 1,388 trilhão em faturamento, representando 10,9% do PIB nacional, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). O setor também registrou exportações de US$ 66,7 bilhões e a criação de 51 mil novos empregos. Diante desse porte econômico, a fiscalização por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tornou-se mais rigorosa. Para os especialistas, o compliance alimentar deixou de ser apenas uma obrigação legal e agora é um pilar estratégico para a reputação e a sustentabilidade das empresas.
Apesar da atenção aos processos, um item frequentemente negligenciado na conformidade é o lubrificante utilizado em equipamentos próximos à linha de produção, como esteiras, rolamentos e válvulas. Graxas industriais convencionais, baseadas em lítio, alumínio ou poliureia, não são projetadas para suportar o risco de contato acidental com alimentos. Se detectado em uma auditoria, esse detalhe pode ser considerado uma não conformidade grave, forçando a indústria a revisar toda a sua rotina de manutenção peça por peça.
- O mercado global de lubrificantes grau alimentício H1 deve chegar a US$ 849,48 milhões até 2034, crescendo a 6,33% ao ano.
- A automação nas fábricas aumenta a proximidade física entre máquinas e alimentos, elevando o risco de contaminação.
- O uso de lubrificantes comuns pode gerar reprovação em auditorias de segurança alimentar.
- Lubrificantes H1 devem ser inodores, neutros para elastômeros e livres de transgênicos e alérgenos.
- A certificação ISO 21469 é um pré-requisito para obter os selos Kosher e Halal.
O crescimento do mercado de lubrificantes grau alimentício
A exigência por segurança impulsiona o mercado de lubrificantes grau alimentício, classificados como H1. Dados da consultoria Fortune Business Insights projetam que o setor global movimentará US$ 519,79 milhões em 2026 e alcançará US$ 849,48 milhões até 2034. O crescimento anual composto de 6,33% é atribuído, em grande parte, à automação das linhas de produção, que aumenta a proximidade entre as máquinas e os produtos alimentícios.
Consultoria técnica e adequação aos padrões
Recebemos cada vez mais demanda de clientes das indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos que precisam adequar sua lubrificação aos padrões de auditoria e compliance. Não basta trocar o produto: é preciso reavaliar cada ponto de aplicação, entender onde existe risco de contato incidental e comprovar tecnicamente essa adequação, explica Luiz Maldonado, CEO da Lubvap Special Lubricants, distribuidora especializada no segmento.
Requisitos técnicos e certificações obrigatórias
Para ser classificado como grau alimentício H1, o lubrificante deve atender a critérios rígidos além da ausência de contaminantes. A formulação precisa ser inodora, neutra para elastômeros, livre de transgênicos e alérgenos, e não conter compostos MOSH/MOAH, associados a riscos à saúde. A conformidade é validada por certificações específicas, como a ISO 21469, que é um pré-requisito para as homologações Kosher e Halal.
Importância da especificação técnica
Luiz Maldonado reforça que a adoção do lubrificante H1 não substitui os demais controles de segurança exigidos pelas boas práticas de fabricação. Ele é uma camada a mais de proteção, não a única. E a especificação técnica continua sendo decisiva: temperatura, carga e frequência de aplicação seguem determinando qual formulação é a mais adequada para cada equipamento, pondera o executivo.
Soluções integradas para a indústria nacional
Instalada em São José dos Campos (SP), a Lubvap atua em todo o Brasil com um portfólio de marcas internacionais certificadas para uso em grau alimentício, como Setral, Kluber, Foodlube e Nevastane. A empresa também oferece consultoria técnica para a substituição de lubrificantes convencionais e a especificação da formulação correta para cada aplicação, além de distribuir lubrificadores automáticos e desengraxantes biodegradáveis aprovados pela Anvisa.

Ilustração: Lubvap Special Lubricants


