11 de outubro de 2026

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Vendas do agro brasileiro para os EUA caem quase 18% em 2026

Agronegócio Agronegocio 11/10/2026 11:13 Beatriz Gunther - Canal Rural canalrural.com.br

O setor agropecuário brasileiro enfrenta uma queda de 17,8% nas exportações para os Estados Unidos no acumulado de 2026. Enquanto as vendas para os americanos recuam, o agronegócio brasileiro cresce 8,9% em outros mercados mundiais, evidenciando a necessidade de diversificação de rotas comerciais diante das tarifas impostas pelos EUA.

As vendas do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos apresentaram uma queda significativa em 2026. De acordo com dados recentes, as exportações do setor caíram 17,8% no acumulado dos primeiros nove meses do ano, um reflexo direto das barreiras tarifárias impostas pelo governo americano.

O levantamento, realizado pela Amcham Brasil com base em dados oficiais do comércio exterior, revela que, apesar da retração no mercado americano, o agro brasileiro conseguiu expandir suas vendas para outros destinos. Para o restante do mundo, o crescimento foi de 8,9% no mesmo período, mostrando a resiliência do setor na busca por novos mercados.

  • Dados do setor agro: As exportações de produtos agrícolas para os EUA caíram 17,8% em 2026.
  • Crescimento global: Para outros países, as vendas do agro aumentaram 8,9% no período.
  • Impacto das tarifas: Produtos sujeitos a alíquotas de 25% ou 37,5% tiveram uma queda de 25,4% nas exportações.
  • Setor industrial: A indústria de transformação caiu 1,2% para os EUA, mas subiu 6,3% para o resto do mundo.
  • Saldo comercial: O Brasil registrou um déficit de US$ 4,3 bilhões no comércio com os EUA nos nove meses.

Setor agropecuário sofre com tarifas elevadas

A retração mais severa foi observada nos itens que pagam as taxas mais altas de importação nos Estados Unidos. Para produtos sujeitos a alíquotas de 25% ou 37,5%, a queda nas exportações chegou a 25,4%, o que representa uma perda de aproximadamente US$ 1,4 bilhão em vendas.

Entre os dez principais produtos brasileiros que enfrentam as sobretaxas mais elevadas, nove sofreram redução nas vendas ao mercado americano. A madeira de coníferas liderou a queda, com uma retração de 50,6%. Em seguida, apareceram granitos trabalhados (-34,1%), sebo bovino (-33,4%), fumo não manufaturado (-32,2%) e outras portas (-29,3%).

Esses números evidenciam como a política tarifária americana impacta diretamente produtos específicos do agronegócio e da indústria brasileira, forçando os exportadores a buscam alternativas em mercados como a Ásia, a Europa e a América Latina, onde as vendas têm crescido.

Comparativo com outros setores e mercados

O levantamento aponta que a queda nas exportações aos Estados Unidos se repete em outros setores da economia, embora com intensidades variadas. Na indústria extrativa, as vendas para os americanos recuaram 32%, enquanto avançaram 21,2% para os outros mercados globais.

Já na indústria de transformação, a queda foi menor, de 1,2% nas exportações ao mercado americano, ante alta de 6,3% para os demais destinos. Apesar do resultado negativo na relação bilateral, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, com participação de 15,7% do total do setor.

A Amcham Brasil destaca que a comparação dos dados de setembro com o mesmo mês de 2025 mostra uma alta de 31,9% nas exportações totais para os EUA, somando US$ 3,5 bilhões. No entanto, esse pico mensal não foi suficiente para reverter a queda acumulada no ano, que permanece em 6,5% para todo o comércio brasileiro.

Balanço comercial e importações

Além das exportações, as importações brasileiras de produtos americanos também apresentaram variações. Em setembro, as compras de produtos dos EUA cresceram 2,1%, marcando o terceiro mês consecutivo de alta. O avanço foi puxado principalmente pelas compras de combustíveis, que aumentaram 108,5%, e de máquinas de processamento de dados, com crescimento de 31,4%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as importações provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 31,8 bilhões, registrando uma queda de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. Com as exportações brasileiras totalizando US$ 27,5 bilhões e as importações chegando a US$ 31,8 bilhões, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 4,3 bilhões na relação com os Estados Unidos nos nove primeiros meses do ano.