08 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Etanol brasileiro pode virar combustível para navios e abrir novo mercado bilionário

Agronegócio Etanol 08/10/2026 08:06 Mecânica Comunicação Estratégica

Executivo da SCA Brasil revela que o setor marítimo internacional busca ativamente biocombustíveis para reduzir poluição. Com a produção nacional de 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27, o Brasil tem chance de se tornar um grande fornecedor para navios que começam a operar com etanol até 2030.

O setor de transporte marítimo internacional está de olho no etanol brasileiro como uma solução viável para reduzir a emissão de carbono da navegação. Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, destaca que a descarbonização dos navios cria uma oportunidade estratégica para o agronegócio nacional expandir seus horizontes de consumo.

A vocação agrícola do Brasil, sua grande extensão territorial e o rápido crescimento da produção de etanol de milho posicionam o país para atender a essa nova demanda. Essa diversificação é crucial diante da transformação do setor automotivo, marcado pela ascensão dos carros híbridos e elétricos.

Pontos-chave da nova frente para o biocombustível

  • O Brasil pode produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, segundo a Conab.
  • O mercado global de combustíveis para navios consome entre 250 e 298 bilhões de litros por ano.
  • Testes com misturas de etanol (inclusive E100) em navios já mostram resultados positivos.
  • Novos navios projetados para usar biocombustíveis devem entrar em operação até 2030.
  • Grandes empresas como Vale e Maersk já realizam adaptações em suas frotas para esse fim.

O Brasil está diante de uma nova fronteira para o etanol com o uso do biocombustível na navegação e seu potencial para reduzir a pegada de carbono do setor marítimo. Temos enorme capacidade de produção, especialmente com o crescimento do etanol de milho, afirma Ono.

O executivo acredita que o biocombustível para navios (biobunker) pode crescer mais rápido do que o combustível sustentável de aviação (SAF). Na aviação, o processo é gradual e depende de diferentes matérias-primas. Já na navegação, os testes com etanol avançam com mais agilidade.

O biobunker parece ser um mercado bastante promissor e pode avançar mais rapidamente até mesmo do que o SAF. Na aviação, existem diferentes matérias-primas para a produção do combustível sustentável e uma trajetória gradual de aumento da mistura. Na navegação, já existem testes com diferentes proporções de etanol, chegando inclusive ao E100, com resultados positivos, explica.

Flexibilidade de uso amplia as oportunidades

A possibilidade de utilizar diferentes percentuais de etanol nas embarcações fortalece a perspectiva comercial. Os testes demonstraram boa aceitação das misturas pelo setor marítimo.

Os testes têm mostrado boa aceitação das misturas, o que abre uma oportunidade muito grande para o etanol brasileiro, acrescenta o CEO da SCA Brasil.

Esse cenário ganha força com a fabricação de uma nova geração de navios preparados para operar com combustíveis alternativos. Parte dessa frota moderna deve começar a operar até 2030, criando espaço para que grandes produtores brasileiros se tornem fornecedores oficiais.

Para aproveitar esse mercado emergente, Ono ressalta a necessidade de preparação da infraestrutura logística e produtiva do país.

Precisamos olhar para esses novos navios que estão sendo fabricados para utilizar biocombustíveis e que estarão no mercado até 2030. O Brasil precisa preparar sua capacidade produtiva e de infraestrutura, e os portos também terão que estar estruturados para abastecer essas embarcações. É um cenário desafiador, afirma.

Números mostram o tamanho da oportunidade

A estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. Em contrapartida, o transporte marítimo mundial consome aproximadamente entre 250 e 298 bilhões de litros de combustíveis por ano.

Essa comparação de volumes demonstra a imensidão do mercado global disponível para o biocombustível brasileiro.

Imagine se o mercado de combustíveis marítimos adotasse uma participação de apenas 10% de etanol na mistura. O consumo poderia chegar a aproximadamente 30 bilhões de litros ou mais. Isso dá a dimensão da oportunidade de negócios que temos pela frente, destaca Ono.

Regulação e testes industriáticos avançam

Para transformar esse potencial em consumo real, é fundamental estabelecer regras claras e garantir segurança para os investidores. Ono participou de uma reunião sobre o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Navegação, voltada para estruturar esse novo mercado.

Recentemente participei de uma discussão em que o governo federal, por meio de diferentes ministérios e órgãos, começou a trabalhar na regulamentação desse mercado. Ficou claro, que é importante estabelecer um cronograma, com metas e previsibilidade para os investimentos, tanto na produção de etanol quanto na infraestrutura necessária, afirma.

O executivo observa que grandes players do setor marítimo já estão se adaptando às novas tecnologias limpas.

A Vale e a Maersk vêm realizando testes e adaptações em embarcações para o uso de biocombustíveis, com resultados positivos. É um movimento que mostra que essa discussão começa a sair do campo das possibilidades e avançar para uma aplicação concreta, conclui.