16 de setembro de 2026

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Leite de jumenta vira promessa para cosméticos e alimentos no Nordeste

Agronegócio Leite 16/09/2026 08:33 Larissa Vieira, Assessoria de Imprensa Agropress

Estudos de universidades federais revelam que a produção de leite de jumenta é viável e eficiente no Semiárido, abrindo caminho para uma nova indústria de produtos funcionais e cosméticos.

Universidades do Nordeste concluíram estudos recentes que apontam a viabilidade da produção de leite de jumenta. A principal descoberta é a potencialidade do uso desse leite na fabricação de cosméticos e alimentos funcionais com alto valor comercial. As primeiras novidades devem ser lançadas no mercado ainda este ano.

Os resultados mostram que as jumentas nordestinas são muito eficientes nesse processo. Essa constatação abre portas para um mercado sustentável e inovador focado na região do Semiárido, transformando uma atividade rural tradicional em uma oportunidade econômica moderna.

  • A região nordestina detém 90% do rebanho do ecótipo Nordestino, somando cerca de 696 mil exemplares.
  • Essa quantidade é quase oito vezes maior que todo o rebanho de jumentas leiteiras da Europa Ocidental.
  • As produções diárias chegam a 5 litros por fêmea, volume ideal para um nicho de mercado específico.
  • Os produtos derivados têm alto valor agregado devido aos compostos bioativos e benefícios nutricionais.
  • A atividade potencializa a geração de renda e o desenvolvimento sustentável no Semiárido.

Mercado Nacional e Internacional

Os pesquisadores avaliaram a capacidade produtiva das fêmeas do ecótipo Nordestino. O leite de animais asininos é valorizado em diversos países pelas suas propriedades nutracêuticas. No Brasil, ele surge como uma alternativa para agregar valor à criação dessas espécies nos estados nordestinos.

A estimativa atual indica que a região, predominantemente o Semiárido, concentra cerca de 696 mil animais. Esse número representa quase oito vezes o efetivo de jumentas da Europa Ocidental, que possui aproximadamente 87 mil exemplares em diversos países produtores.

Resultados e Publicações Científicas

Com a divulgação dos resultados da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), há grande expectativa. Produtos alimentícios funcionais e cosméticos à base de leite de jumenta devem chegar aos consumidores brasileiros ainda em 2024. Os estudos foram publicados em revistas científicas renomadas, como a Tropical Animal Health and Production e a Veterinary and Animal Science.

Para estruturar a cadeia produtiva, foram analisados a viabilidade econômica e a capacidade das fêmeas locais. Os técnicos buscaram determinar a produção diária e os intervalos ideais para a ordenha, garantindo eficiência sem prejudicar os animais. A técnica utilizada envolveu a pesar os filhotes, chamados de potros, antes e depois das mamadas.

Volume de Produção e Nicho de Mercado

A produção média aferida pelos especialistas foi de 5 litros de leite por dia para cada fêmea. Segundo Jorge Eduardo Cavalcane Lucena, zootecnista e professor da UFAPE, comparar esse volume ao da bovinocultura não é adequado. O leite de jumenta destina-se a um nicho específico de alimentos funcionais, devido aos nutrientes e compostos de interesse nutracêutico.

Em outra etapa do estudo, testaram-se diferentes intervalos entre as ordenhas. O objetivo era encontrar o tempo certo para o enchimento da glândula mamária, sem prejudicar a fêmea ou o filhote. Verificou-se que, a cada 4 horas, é possível realizar até três ordenhas diárias, desde que haja rigor no controle sanitário e na higiene.

Eficiência e Comparação com Raças Tradicionais

O estudo analisou também a produção de leite em relação ao peso das jumentas. Isso é fundamental porque o ecótipo Nordestino tem fêmeas de menor porte. Quando a produção é proporcional ao peso, o resultado alcançado foi de 169,19 gramas de leite por 100 quilos de peso vivo por ordenha. Esse desempenho é superior ao de raças tradicionais chinesas, como Jiangyue e Dezhou, e da raça Pêga, do Brasil.

Embora as jumentas nordestinas sejam menores e mais leves, elas possuem grande capacidade produtiva. Prof. Jorge Lucena destaca que isso reforça o potencial para criar sistemas de produção adaptados às condições secas do Semiárido. A eficiência comprovada torna o projeto ainda mais promissor para a região.

Conclusão e Impactos Socioeconômicos

Os pesquisadores continuam focando no aprimoramento das técnicas de ordenha e na melhor seleção genética dos animais. Esses avanços permitirão a consolidação da segunda fase do projeto, focada na fabricação real dos produtos. A criação dessa indústria regional busca diversificar as atividades rurais locais.

Segundo o professor Jorge Lucena, a nova cadeia produtiva estimulará a geração de empregos e renda. O objetivo principal é contribuir para o desenvolvimento sustentável do Semiárido. Essa contribuição é essencial em uma região que ainda apresenta índices de desenvolvimento humano abaixo da média nacional.