23 de outubro de 2026

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Trigo: custo de fronteira de US$ 20 por tonelada trava comércio com o Paraguai

Agronegócio Trigo 15/09/2026 15:58 Abitrigo

Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) promoveu missão ao Paraguai para discutir entraves logísticos e burocráticos. Com custo de travessia de quase US$ 20 por tonelada, setor busca simplificação aduaneira para aumentar importação, principalmente para atender a demanda do Paraná.

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) organizou, entre 1º e 3 de setembro, o Giro Abitrigo Paraguai. O objetivo foi buscar soluções para reduzir os gargalos logísticos e garantir o abastecimento da indústria moageira nacional. A comitiva contou com mais de 45 representantes de moinhos e outros elos da cadeia do grão, que enfrentaram desafios operacionais causados pela burocracia na fronteira entre os dois países.

Durante os três dias, o grupo conheceu a infraestrutura de transporte da região, com visitas ao Terminal Multilog, no Brasil, e à Algesa, no Paraguai. Também visitou campos de trigo em Santa Rita, no Paraguai, onde observou o padrão de cultivo e os cuidados sanitários. Além disso, visitou a Cooperativa Colonias Unidas, em Obligado, para conhecer o programa de multiplicação de variedades e as tecnologias de garantia de qualidade. No campo experimental da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas (CAPECO) e da Genética Vegetal del Paraguay S.A. (GENEPAR), acompanhou pesquisas com novas variedades para atender aos moinhos brasileiros.

  • O custo de travessia na fronteira pode chegar a US$ 20 por tonelada, um valor significativo para o comércio de trigo.
  • O Paraná pode precisar importar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas de trigo em 2027, e o Paraguai é o fornecedor natural.
  • A burocracia aduaneira nos portos secos é o principal gargalo apontado pela indústria.
  • O trigo paraguaio tem qualidade que melhora a farinha dos moinhos brasileiros por causa do glúten.
  • A comitiva também visitou lavouras e cooperativas para entender o cultivo e as inovações genéticas.

No último dia do Giro, o grupo se reuniu com autoridades dos ministérios da Agricultura do Brasil e do Paraguai, da Receita Federal e agentes do comércio exterior. O tema central foi a redução da burocracia nos procedimentos aduaneiros no porto seco da Algesa e no Terminal Multilog, considerada fundamental para aumentar as trocas comerciais na região de fronteira.

O superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio, destacou: "Colocamos um grande desafio para esse grupo, que é a redução do chamado custo fronteira, hoje uma grande barreira para o estímulo desse comércio. Segundo os operadores locais, estamos falando de quase 20 dólares por tonelada em custos operacionais de travessia. É um valor expressivo na precificação do mercado internacional, e qualquer melhoria operacional trará estímulo imediato ao comércio entre Paraguai e Brasil."

A urgência em otimizar a importação é ainda maior por causa de uma mudança estrutural no Sul do Brasil. No Paraná, principal estado produtor, muitos produtores estão migrando para outras culturas mais rentáveis, reduzindo a área de trigo na safrinha. A indústria estima que o mercado paranaense precise importar entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de toneladas em 2027, e o Paraguai é o fornecedor natural para abastecer o Sul e o Sudeste.

Qualidade e investimentos no trigo paraguaio

Do lado paraguaio, a cadeia produtiva está investindo em tecnologia e melhoramento genético para aumentar a oferta e atender aos padrões exigidos pelos moinhos brasileiros.

O presidente da Cámara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas, José Berea, afirmou: "Tivemos a honra de receber a comitiva da Abitrigo, que esteve aqui com a intenção de conhecer nossas lavouras e de comprar nosso excedente exportável. Estamos trabalhando para retomar o patamar de 600 mil hectares de área cultivada com trigo no Paraguai."

A qualidade do grão paraguaio é um diferencial importante. Por sua composição e força de glúten, o trigo importado do país vizinho ajuda a melhorar a farinha dos moinhos paranaenses e paulistas, complementando a produção local. Apesar disso, a burocracia ainda dificulta as transações.

O diretor de Originação e Financeiro da S.A. Moageira & Agrícola Irati, André Vosnika, comentou: "Compramos trigo paraguaio, mas foi a primeira vez que cruzei a fronteira para ir até os campos. Enfrentamos burocracia na importação e vemos que a questão logística é um gargalo, mas aqui entendemos cada limitação, que envolve logística e acertos entre os países."

O presidente do Conselho na Infasa e Belarina, Arnei Antônio Frasson, também elogiou a visita: "É muito enriquecedor poder entender os problemas que eles enfrentam versus os nossos. Para nós, principalmente do Paraná, o Paraguai é um fornecedor importante de trigo, e essa visita enriqueceu bastante o nosso conhecimento."

Para o superintendente da Abitrigo, a aproximação direta entre industriais, produtores e órgãos governamentais abriu caminho para um novo ciclo de cooperação bilateral no mercado de grãos.

Assêncio concluiu: "O Giro Abitrigo superou as expectativas. Conseguimos transmitir aos produtores e exportadores paraguaios as reais necessidades do mercado brasileiro, encontrando um setor receptivo e empenhado em aprimorar suas entregas. A expectativa é que os alinhamentos operacionais e institucionais promovidos durante a expedição tragam resultados concretos para a cadeia do trigo em curto e médio prazo."