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Suinocultura de MS cresce 16% e vira destaque nacional em abate de suínos em 2026

Agronegócio Suinocultura 14/09/2026 20:10 CNN Brasil cnnbrasil.com.br Dourados MS

Com R$ 250 milhões em crédito e apoio do FC... O estado lidera o crescimento no abate de suínos, superando estados tradicionais como RS e Paraná, e busca novos mercados via Rota Bioceânica e Paraguai.

Com um investimento que soma cerca de R$ 250 milhões, o setor de criação de porcos em Mato Grosso do Sul tem acelerado. A região já registra a maior alta no número de animais abatidos por órgãos federais em todo o país, mostrando um momento histórico para a produção local.

Renato Spera, presidente da Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Suínos), confirma que essa quantia foi liberada para financiar a expansão, principalmente através do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste). Além desse dinheiro do governo, os próprios agricultores também investiram parte do seu patrimônio nas fazendas para garantir o crescimento.

  • O abate de suínos em MS subiu 16% entre janeiro e julho de 2026, muito acima da média brasileira de 3,19%;
  • Os R$ 250 milhões em crédito vieram principalmente do FCO, com aporte adicional dos produtores;
  • O estado se posicionou na 5ª colocação no ranking nacional de abate, com 2,1 milhões de animais;
  • A sanidade (estado livre de febre aftosa) e a proximidade com lavouras de milho são chaves para o sucesso;
  • Um novo censo da atividade será lançado em 17 de julho para mapear oportunidades de eficiência;.

Recorde de crescimento ultrapassa estados tradicionais

Os números do Serviço de Inspeção Federal (SIF) mostram que, de janeiro a julho de 2026, houve um aumento de 16% no número de suínos abatidos no estado, comparado com o mesmo intervalo do ano anterior. Essa taxa de expansão foi significativamente superior à média nacional, que ficou em 3,19%.

O desempenho de Mato Grosso do Sul foi melhor até que o de estados que já são referências na criação de suínos. O Rio Grande do Sul, por exemplo, teve crescimento de 5,6%, enquanto o Paraná registrou 4,94%. Essa diferença mostra como o estado sul-mato-grossense tem ganhado velocidade no setor.

Para Spera, esse resultado não é acaso. É fruto de um planejamento cuidadoso que envolveu fazendeiros, indústrias e bancos nos últimos anos. Ele descreve a situação como um ambiente favorável, onde os produtores vêem oportunidades de negocio e as empresas já têm projetos de ampliação definidos.

Expansão planejada visa 50% mais animais

O plano de crescimento começou a ser desenhado há cerca de três anos. A meta estabelecida pela associação era aumentar o rebanho produtivo em cerca de 50% até o final de 2026, comparado com o tamanho do rebanho de três anos atrás. Segundo o dirigente, esse objetivo está sendo alcançado conforme o previsto.

Apesar do bom ritmo, Mato Grosso do Sul ainda não lidera o volume total de abates. No período analisado, foram cerca de 2,1 milhões de suínos processados sob inspeção federal, o que levou o estado para a quinta posição no país. A liderança nacional continua com Santa Catarina, que abateu 9,4 milhões de animais.

Os outros postos do pódio são ocupados pelo Paraná, com 6,1 milhões, e o Rio Grande do Sul, com 6 milhões. Minas Gerais fechou em quarto lugar, com 2,3 milhões. Em seguida, vêm Mato Grosso com 1,6 milhão e Goiás, com 900 mil. Embora o Sul ainda domine 73,77% da produção nacional, o Centro-Oeste, onde MS se situa, responde por 15,99%, mostrando uma tendência de mudança no mapa produtivo.

Grãos e sanidade puxam a competitividade

O sucesso da suinocultura no estado não depende só de dinheiro. A Asumas aponta que duas condições são decisivas: a saúde dos rebanhos e a comida dos animais. Mato Grosso do Sul é reconhecido como zona livre da febre aftosa, uma doença que afeta animais de casco fendido. Esse status é valorizado pelos compradores estrangeiros, que exigem segurança sanitária para importar carnes.

Outro fator é o milho. O estado produz bastante do grão, que é a base da ração dos porcos. Como a plantação está perto da granja, o custo de transporte cai e a margem de lucro do produtor aumenta. Spera explica que ainda há espaço para a agricultura se expandir, o que garante alimento suficiente para a suinocultura crescer sem faltar insumo.

Essa combinação de fatores tem chamado a atenção de grandes empresas e cooperativas, que estão entrando no mercado para investir na infraestrutura. O mix de grão barato, saúde animal comprovada e áreas disponíveis cria um cenário atrativo para quem busca lucro no agronegócio.

Novos caminhos para exportar além das fronteiras

Ainda assim, a maior parte da carne produzida no estado fica no Brasil. Apenas entre 1,6% e 1,8% da produção atual vai para outros países. O setor, porém, olha para o futuro com outros projetos em mente. Um deles é a Rota Bioceânica, uma estrada que ligará o Centro-Oeste aos portos do Chile.

Essa nova via abrirá um caminho mais curto para o Pacifico, facilitando o acesso aos mercados da Ásia. Spera explica que, hoje, o estado fica ilhado no meio do continente, mas a rota economizou de 12 a 17 dias de viagem para chegar à China e Japão, tornando o produto mais competitivo.

O Paraguai também é visto como uma boa vizinhança comercial. A associação já identificou produtores que querem vender para lá e está ajudando cadastrar as granjas nos órgãos de defesa sanitária. Essa oportunidade surge justamente porque o próprio Paraguai está recebendo investimentos de brasileiras, criando uma corrente de comercio na fronteira.

Carne suína ganha espaço na mesa do brasileiro

O crescimento da produção ocorre num momento em que a carne bovina está mais cara. Com menos gado disponível e preços altos, as famílias brasileiras tendem a trocar a carne vermelha pela suína, que é mais barata. Essa diferença de preço abre espaço para o porco na alimentação do dia a dia.

Spera reforça que o suino é uma alternativa saudável e econômica para o consumidor final. Para atrair mais clientes, a Asumas trabalha junto com a ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos) em campanhas educativas. O objetivo é mostrar as qualidades nutricionais da carne, fazendo com que as pessoas valorizem o alimento na hora da compra.

A qualidade é garantida por uma certificação rigorosa. 100% das granjas do estado possuem o Selo Asumas de Sustentabilidade. Esse programa avalia as fazendas em 50 pontos diferentes, cobrando atenção ao meio ambiente, bem-estar dos animais, segurança sanitária e até a parte social do trabalho. O produtor que cumpre as normas tem a garantia de que está seguindo padrões mundiais.

Censo mapearia o futuro do setor em MS

Para entender melhor o presente e planejar o futuro, a Asumas prepara o lançamento do Censo da Suinocultura de MS. O documento será apresentado na quinta-feira (17), durante um fórum em Dourados. Ele contém respostas de produtores a um questionário com 70 perguntas.

O mapeamento servirá para guiar decisões de política público e incentivos financeiros. A ideia de Spera é ir além de simplesmente aumentar o número de bichos. O foco também é a eficiência. Às vezes, a fazenda não pode crescer por falta de mercado, mas pode mudar o jeito de trabalhar para ganhar mais.

Às vezes você, por uma questão de mercado, não pode crescer, mas tem que desenvolver alternativas, melhorias dentro da granja. Você implementa automação, melhora a parte social, sanitária, ambiental e o bem-estar animal, concluiu o presidente, destacando que a tecnologia e o cuidado com o funcionário são tão importantes quanto o tamanho do rebanho.