14 de setembro de 2026

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Tecnologia do boitel aumenta lucro e previsibilidade financeira no gado

Agronegócio Pecuária 14/09/2026 13:54 Assessoria de imprensa da Connan Nutrição Animal

O confinamento terceirizado, conhecido como boitel, funciona como um hotel para o gado, permitindo aos pecuaristas ganhar em eficiência, prever melhor seus custos e evitar gastos com estruturas fixas, favorecendo fazendas de todos os tamanhos.

Maior previsibilidade financeira e ganho de eficiência estão entre as vantagens consideradas pelos pecuaristas ao optarem pelo uso do boitel, um confinamento terceirizado para a engorda de gado que funciona como uma espécie de hotel para os animais. Indicado para propriedades de todos os tamanhos, o sistema também pode contribuir para a otimização do pasto e dispensa investimentos próprios em infraestrutura.

O boitel fornece toda a estrutura necessária, como baias, alimentação balanceada, assistência veterinária e mão de obra qualificada para realizar a terminação. Nesse sistema, o gado alojado recebe tratos nutricionais específicos, água e monitoramento de saúde. O criador pode pagar uma diária com alimentação incluída, arcar separadamente com dieta e serviços ou contratar o confinamento com base no custo por arroba produzida ou consumo de matéria seca, conforme o modelo adotado pelo boitel, explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.

  • Funciona como um serviço completo de engorda, reduzindo a necessidade de construção de currais e compra de máquinas.
  • Permite ao produtor travar preços na bolsa de valores ou com frigoríficos, garantindo margem de lucro definida.
  • É ideal para proteger pastagens durante a seca, evitando a venda de gado magro em épocas desfavoráveis.
  • Pequenas fazedas ganham poder de barganha nos insumos ao terceirizar a etapa final de engorda.
  • Grandes fazendas podem usar o recurso para reduzir custos de frete enviando o gado perto dos abatedouros.

Quem usa o boitel e como funciona a gestão

A viabilidade da operação também depende da qualidade dos animais enviados. Lotes saudáveis, homogêneos e com bom potencial de ganho tendem a apresentar melhor desempenho e menor custo por arroba produzida. Para o especialista, uma das vantagens do boitel é a maior previsibilidade dos custos de terminação.

Quando associada ao travamento do preço de venda, por meio de operações na B3 ou de contratos com frigoríficos, essa previsibilidade também pode alcançar a receita e a margem esperada. Além disso, ele destaca que não há necessidade de investimento em estrutura, uma vez que o produtor não precisa gastar com a construção de confinamentos, aquisição de tratores e outros maquinários ou contratação de equipe especializada.

Benefícios práticos e economia de recursos

Outros pontos positivos são a otimização do pasto, que permite desafogar as pastagens da propriedade principal durante períodos de seca ou escassez de forragem, e o ganho de eficiência, já que os animais atingem o peso ideal de abate mais rapidamente e com padrão de carcaça adequado, devido à dieta técnica e balanceada. Essa abordagem moderna facilita o planejamento financeiro do pecuarista.

Os custos de um boitel incluem a dieta (silagem, grãos, farelos), a estrutura dos currais, maquinários, energia e a remuneração da equipe. Também são computados custos com assistência veterinária e medicamentos, como vacinas previstas no protocolo sanitário de entrada, vermífugos e tratamentos de eventuais animais doentes. Cada detalhe é monitorado para garantir a saúde do rebanho.

Além disso, é preciso observar que, se os gastos com o deslocamento do gado da fazenda até o boitel e depois até o frigorífico correrem por conta do pecuarista, isso pode pesar bastante, dependendo da distância percorrida. Alguns locais cobram uma taxa única por cabeça na entrada para cobrir os custos de pesagem, brincagem (identificação) e triagem sanitária. Há também o seguro ou fundo de mortalidade, uma taxa percentual ou valor fixo para cobrir o risco de morte de animais durante o período de confinamento, enumera Marson.

Estratégia para fazendas de diferentes portes

O diretor técnico industrial observa que o boitel é indicado para propriedades de todos os tamanhos e que a grande vantagem desse modelo é que a viabilidade não depende do tamanho da terra, mas sim da estratégia de produção e do fluxo de caixa. No caso de pequenas propriedades, o boitel pode funcionar como uma ferramenta de expansão sem a necessidade de aquisição de novas áreas. Isso permite a pequenos negócios crescerem sem dívidas excessivas.

Outra vantagem é que pequenas fazendas dificilmente conseguem poder de barganha na compra de insumos, como milho e farelo, a preços competitivos. Assim, o produtor pode concentrar sua propriedade apenas na fase de cria ou recria e terceirizar a engorda, liberando o pasto para aumentar a lotação nas etapas anteriores do ciclo produtivo. A logística é fundamental para o sucesso desse modelo.

Impacto na produtividade e custos logísticos

As propriedades de médio porte podem recorrer ao boitel para ajuste de estoque e gestão da produção, principalmente na época da seca, o que permite ao produtor manter uma quantidade mais estável de gado ao longo do ano. Quando chega a estiagem e o pasto seca, em vez de vender o gado magro ou gastar muito com ração na fazenda, ele envia o lote para o boitel, preservando as pastagens e criando condições para que o rebanho seja terminado e comercializado com maior peso e acabamento, inclusive em períodos potencialmente mais favoráveis de mercado, explica Marson.

No caso das grandes propriedades, o sistema também pode ser uma alternativa para fazendas distantes dos frigoríficos. Nessa situação, o produtor pode optar por enviar o gado para um boitel localizado estrategicamente próximo ao frigorífico, reduzindo os custos com o frete do boi gordo. Além disso, o pecuarista não precisa investir recursos em obras e maquinários que ficariam parados boa parte do ano, o que libera capital para outras operações.

Nas propriedades mais distantes dos frigoríficos, um boitel estrategicamente localizado pode reduzir o custo e o desgaste do transporte dos animais terminados. Entretanto, a decisão deve considerar o custo logístico completo, incluindo o deslocamento da fazenda até o confinamento. O planejamento cuidadoso é essencial para evitar surpresas com as despesas de transporte.

O boitel é indicado principalmente para o produtor que busca acelerar a terminação, preservar as pastagens durante a seca e aumentar a eficiência do sistema sem imobilizar capital em estruturas e equipamentos. Entretanto, a decisão deve considerare o desempenho esperado dos animais, o custo da arroba produzida, as despesas logísticas e a estratégia de venda. Mais do que um hotel para o gado, o boitel deve ser encarado como uma ferramenta de gestão produtiva e financeira, conclui Marson.