O besouro moleque-da-bananeira, conhecido como broca-do-rizoma, ataca as raízes da planta silenciosamente. Com o crescimento da produção nacional, a praga pode causar prejuízos massivos, exigindo monitoramento constante e combate integrado com controle químico e biológico.
O Brasil, atualmente o quarto maior produtor mundial de banana, viu sua produção crescer de 6,99 milhões para 7,23 milhões de toneladas entre 2024 e 2025, conforme dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE. O país cultiva cerca de 473 mil hectares com mais de 40 variedades da fruta, gerando mais de 500 mil empregos diretos, segundo a Embrapa. Apesar desse sucesso, a cultura enfrenta uma ameaça grave: a praga da broca-do-rizoma, que pode comprometer a produtividade e os ganhos do setor.
Conhecida popularmente como moleque-da-bananeira, a broca-do-rizoma (Cosmopolites sordidus) é a principal inimiga da bananicultura. O dano ocorre de forma silenciosa durante a fase larval, quando os insetos entram no rizoma - a raiz principal - para se alimentar. Isso impede a planta de absorver nutrientes do solo e de gerar novas raízes, enfraquecendo todo o desenvolvimento do bananeiro e tornando-o vulnerável a tombos.
Como identificar e agir contra a praga
Os produtores precisam ficar atentos a sinais visuais precoces para evitar perdas. As folhas amareladas que secam cedo, a diminuição do tamanho dos cachos e a morte da parte superior da planta são alertas importantes. Quando a estrutura interna da planta é comprometida, ela perde o equilíbrio e pode cair. O gerente de assuntos regulatórios do Sindiveg, Fábio Kagi, explica que o problema é piorado porque o besouro se espalha pelo país carregado em mudas infestadas, transportando ovos e larvas.
- A broca-do-rizoma pode causar perdas de 30% a 80% na produção de banana se não for combatida.
- A praga viaja pelo Brasil dentro de mudas convencionais que já possuem ovos ou larvas.
- Um controle biológico eficaz usa o fungo Beauveria bassiana, que mata o besouro em até 10 dias.
- Armadilhas com feromônios atraem a praga para uma solução líquida, ajudando na captura.
- O tratamento químico deve seguir rigorosamente as instruções da bula para evitar prejuízos.
Para combater a praga, o controle químico é uma opção válida, mas deve usar apenas produtos registrados para a cultura e seguir as orientações do fabricante. Kagi orienta que o produtor também deve realizar a limpeza completa do rizoma, removendo a casca externa do bananeiro (descortiçamento) como parte do manejo. Quando a amostragem atinge o nível crítico, o produtor precisa agir rápido, combinando diferentes frentes de combate, afirma o especialista. A ação rápida é essencial para salvar a lavoura.
Manejo integrado e sustentabilidade
Além do químico, o manejo inclui o controle biológico. O fungo Beauveria bassiana é um agente natural que contamina os besouros por contato, eliminando-os em até dez dias. Outra ferramenta são as armadilhas de feromônio, que usam o odor atrativo da praga para capturá-la em uma solução aquosa. Kagi reforça que a escolha da estratégia depende das condições de cada lavoura e deve contar com a ajuda de um profissional técnico habilitado para garantir a eficácia.
É fundamental utilizar somente produtos químicos registrados para a cultura de banana e respeitar as doses recomendadas na bula. O descumprimento dessas regras pode gerar custos extras e problemas ambientais. O objetivo do manejo correto é preservar a produtividade e a saúde do solo. A banana é uma das frutas mais consumidas no Brasil, e manter nossas culturas saudáveis, por meio do manejo correto, significa garantir que o setor continue crescendo e gerando empregos, além de preservar a alta produtividade, conclui Kagi.

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