24 de agosto de 2026

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Pulverização: o planejamento começa antes de o equipamento entrar na lavoura

Agronegócio Pulverização 24/08/2026 08:28 Leandro Viegas, Sell Agro

Entenda como o planejamento prévio, aliado a dados técnicos, pode reduzir custos e aumentar a eficiência das aplicações de defensivos e fertilizantes na lavoura.

Olá Vitor, tudo bem Diante de custos altos, sabe por que a eficiência na pulverização começa muito antes das máquinas irem a campo Traçamos insights do CEO da Sell Agro sobre o tema.

Descubra como o planejamento prévio, apoiado pela Embrapa, evita prejuízos e maximiza o rendimento de cada gota na lavoura.

A eficiência de uma pulverização não começa no momento em que o equipamento entra na lavoura. Antes da operação, decisões sobre o histórico da área, monitoramento de pragas e doenças, escolha de produtos, qualidade da água, condições climáticas, regulagem do pulverizador e características das gotas já podem determinar parte importante do resultado no campo.

Para produtores que buscam mais eficiência e menor custo, o planejamento antecipado é essencial. Segundo Leandro Viegas, CEO da Sell Agro, pulverizar deve ser uma etapa bem definida da estratégia de manejo. Quando o produtor planeja com antecedência, ele reduz improvisos, organiza a logística, escolhe corretamente os produtos, prepara os equipamentos e aumenta as chances de cada aplicação entregar o resultado esperado, afirma.

As recomendações técnicas da Embrapa apoiam esse raciocínio. A tecnologia de aplicação envolve a interação entre cultura, praga, doença ou planta daninha, produto, equipamento e ambiente. Problemas como desregulação de equipamento, produto ou dose inadequados, más condições climáticas, e qualidade da água podem comprometer a operação. Saber disso ajuda a evitar falhas antes de começar as atividades na lavoura.

Um dos primeiros passos antes da safra é recuperar o histórico da propriedade. Saber quais pragas predominaram, quais doenças tiveram maior severidade e quais plantas daninhas apresentaram mais dificuldade ajuda a planejar estratégias com antecedência.

O monitoramento complementa essas informações, pois, em vez de depender apenas de um calendário, o produtor pode avaliar a situação real da área, o estágio da cultura, a pressão de pragas e as condições do momento. A escolha correta depende de diagnóstico, e não apenas de calendário, resume o especialista.

Decisão técnica não deve virar urgência

Quando o planejamento fica para a última hora, decisões técnicas podem virar respostas a uma urgência. Compras emergenciais, indisponibilidade de produtos, problemas logísticos e menor chance de escolher a melhor janela de aplicação estão entre os riscos.

Definir objetivos antecipadamente também ajuda a organizar o uso das máquinas e da mão de obra, reduzindo retrabalhos e intervenções desnecessárias.

Outro ponto importante é a preparação do pulverizador. Antes do início das operações, bombas, filtros, mangueiras, válvulas, barras e pontas devem ser revisados, enquanto a regulagem e calibração precisam estar adequadas às condições de cada trabalho.

A Embrapa reforça a importância dessa etapa, mantendo tecnologias para avaliar a deposição das gotas durante a calibração, com o objetivo de melhorar os parâmetros de aplicação e reduzir custos com regulagem. A escolha das pontas interfere na distribuição, no tamanho das gotas, na cobertura do alvo e no risco de deriva. Não existe uma ponta ideal para todas as aplicações; existe a ponta mais adequada para cada objetivo agronômico, diz o CEO da Sell Agro.

Água precisa entrar no planejamento

Apesar de representar grande parte da calda, a água recebe menos atenção do que os demais componentes. Características como pH, dureza e presença de determinadas substâncias podem afetar o comportamento da mistura e o desempenho de alguns produtos. Muitas vezes o produtor investe em tecnologias de alto valor, mas perde eficiência por não conhecer a qualidade da água utilizada, destaca Viegas.

As misturas em tanque também exigem planejamento, já que combinações inadequadas podem provocar problemas físicos ou químicos, como precipitação, formação de grumos, espuma excessiva e obstrução de filtros e pontas. Por isso, compatibilidade e ordem de mistura precisam ser avaliadas previamente.

Clima define a janela, não apenas a agenda

Temperatura, umidade, vento e previsão de chuva completam a lista de variáveis que precisam ser acompanhadas. Condições inadequadas podem favorecer evaporação, deriva ou perda do produto antes de chegar ao alvo. Altas temperaturas e baixa umidade aceleram a evaporação, enquanto ventos inadequados elevam o potencial de deriva.

Para a Sell Agro, planejar significa escolher a melhor janela operacional e não apenas o dia disponível. A orientação é incorporar esses fatores desde o início da safra, oferecendo suporte técnico sobre condições de pulverização, qualidade da água, compatibilidade de misturas e opções de aplicação. Estudos em diferentes regiões mostram que antecipar análises e definir a estratégia reduz paradas por incompatibilidade de calda, contribuindo para uma operação mais organizada ao longo do ciclo. A primeira pulverização da safra não começa quando o pulverizador entra na lavoura. Ela começa meses antes, quando as decisões certas são tomadas, conclui.