A John Deere, maior fabricante de máquinas agrícolas do mundo, divulgou resultados melhores do que o esperado e aumentou a previsão de lucro para 2026. A empresa acredita que a crise no setor está chegando ao fim, com recuperação a partir de 2027. As ações subiram quase 10% após o anúncio.
As ações da John Deere dispararam quase 10% após a empresa divulgar resultados melhores que o esperado e o CEO afirmar que o pior da crise está passando.
John May, presidente da companhia, disse que 2026 deve ser o ano em que o mercado de máquinas agrícolas atinge o ponto mais baixo, e que a recuperação deve começar em 2027.
- A John Deere, maior fabricante de máquinas agrícolas, viu suas ações subirem 10% após superar expectativas.
- A empresa acredita que 2026 será o pior ano, com recuperação moderada em 2027.
- O lucro no trimestre foi de US$ 1,38 bilhão, acima do previsto.
- A previsão de lucro para 2026 foi elevada para até US$ 5 bilhões.
- Apesar da recuperação, ainda há queda prevista nas vendas de máquinas nos EUA e América do Sul.
Resultados do trimestre
Ele também mencionou que os pedidos antecipados, a redução dos estoques de máquinas usadas e a adoção de novas tecnologias dão confiança para o futuro.
A empresa superou as expectativas no trimestre e elevou a previsão de lucro para o ano, sinalizando que a crise pode estar no fim.
As ações abriram em alta de 3,59% e por volta das 12h30 subiam mais de 9%, cotadas a US$ 634, após fecharem em US$ 580,63 no dia anterior.
O lucro líquido foi de US$ 1,38 bilhão, ou US$ 5,10 por ação, bem acima do esperado pelos analistas, que previam US$ 4,71 por ação.
As vendas líquidas e receitas globais cresceram 5% para US$ 12,608 bilhões, superando a estimativa de US$ 10,8 bilhões. No acumulado de nove meses, a receita subiu 7% para US$ 35,589 bilhões.
O desempenho foi impulsionado pela divisão de construção e florestal, que cresceu em dois dígitos, enquanto a produção agrícola e precisão caiu 6% na receita.
May afirmou que a empresa teve um trimestre forte, com resiliência no portfólio e condições estáveis nos EUA, e que está conseguindo lidar com desafios no Brasil e na Europa.
Perspectivas para o futuro
Com o bom resultado, a empresa aumentou a projeção de lucro para 2026 para entre US$ 4,75 bilhões e US$ 5 bilhões, ante a previsão anterior de US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões.
Deanna Kovar, presidente da divisão mundial de agricultura e gramados, afirmou que a carteira de pedidos de plantadeiras e pulverizadores para 2027 cresceu um dígito médio.
Ela disse que esses indicadores são um sinal encorajador de que 2026 é o fundo do ciclo.
Kovar ressaltou que a recuperação em 2027 deve ser moderada, não uma retomada forte.
Apesar do otimismo dos investidores, analistas ainda estão cautelosos devido à incerteza e mensagens ambíguas do setor.
A própria Deere prevê queda de 15% a 20% nas vendas de máquinas agrícolas nos EUA e no Canadá em 2026.
Na América do Sul, a queda deve ser ainda maior, com redução de 15% a 20%, superior à previsão anterior de 15%. A recuperação não deve vir no curto prazo.
Analistas da Jefferies questionam se a empresa está sendo conservadora ou se há mudança estrutural no setor, o que afetaria a duração da recessão.
A Deere vê otimismo, mas concorrentes têm visões mistas: a CNH Industrial também prevê recuperação em 2027, mas a AGCO reduziu suas estimativas.

Luiz Fernando Sá/AgFeed


