19 de agosto de 2026

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Calor extremo obriga agricultura do Reino Unido a mudar

Agronegócio Clima 19/08/2026 08:35 Da Reuters cnnbrasil.com.br

Com o verão mais quente da história, fazendeiros britânicos estão adotando novas técnicas para proteger plantações e criar gado resistente ao clima, com apoio de grandes empresas e seguradoras.

Com as Ilhas Britânicas prestes a registrar o verão mais quente da história, a fazenda de Sam Squier, com quase 200 acres no sudeste da Inglaterra, se destaca como um oásis verde, enquanto os campos ao redor estão secos e marrons.

Enquanto outros agricultores precisam comprar ração, o rebanho de Aberdeen Angus de Squier se alimenta de pastagens densas mantidas por um sistema que ajuda a reter água e melhora o solo.

  • O verão britânico deve ser o mais quente já registrado.
  • Quase 75% da Inglaterra está em situação de seca.
  • Técnicas de agricultura regenerativa ajudam a reter água no solo.
  • Grandes empresas como McDonald's e bancos financiam a mudança.
  • O produtor Sam Squier não compra ração há oito anos graças ao método.

"Este ano mostra o que é possível fazer em um ano seco", disse Squier à Reuters. "Nossa missão é melhorar o solo e criar resistência tanto para períodos secos quanto úmidos."

Seus bovinos, que têm traços da raça japonesa Wagyu, pastam em uma mistura de gramíneas, ervas de raízes profundas e leguminosas, chamadas de pastagens herbáceas.

Essa técnica se baseia em práticas antigas e reflete anos de esforço para introduzir uma agricultura resiliente ao clima, já que governos e empresas tentam tornar as cadeias de alimentos menos vulneráveis.

Depois de anos de agricultura intensiva, o clima extremo adicionou urgência ao debate sobre se a mudança climática transformou a economia do setor.

Bancos, seguradoras, empresas de água e gigantes como McDonald's estão financiando a mudança para práticas agrícolas mais sustentáveis, segundo entrevistas com mais de 25 pessoas envolvidas.

Perdas financeiras com o calor

Os meteorologistas esperam que o verão britânico, que termina em 31 de agosto, seja o mais quente já registrado.

A Europa viveu o aquecimento mais extremo, com cinco ondas de calor e chuvas muito abaixo da média.

Quase três quartos da Inglaterra estão oficialmente em situação de seca.

Produtores de gado e leite relatam pastagens fracas, e a colheita de cereais deve ser a pior desde 1984.

As perdas dos agricultores da União Europeia e da Grã-Bretanha podem chegar a 2,3 bilhões de euros, e os impactos afetam a inflação.

Enriquecimento do solo e energia

Em contraste com a terra seca, as pastagens de Squier perto de Chelmsford têm quase um metro de altura mesmo sem chuva ou irrigação.

As gramíneas fornecem energia, as ervas ajudam a controlar parasitas e as leguminosas fixam nitrogênio, reduzindo a necessidade de fertilizantes.

As vacas pastam em pequenas áreas, movidas duas vezes ao dia, criando uma camada protetora no solo e devolvendo sementes através do esterco. Há oito anos, Squier não compra ração no inverno.

Ele estima que o solo retém cerca de 400 mil litros de água por acre a mais do que antes. A contagem de minhocas saltou de 80 milhões para 680 milhões.

Grandes empresas ajudam fazendas a mudar

Subsídios do governo para o meio ambiente ajudaram Squier na transição. Ele afirma que sua fazenda teria dificuldade sem esse apoio.

Ele também destaca que arrendamento e resistência são obstáculos para outros produtores.

Uma solução cada vez mais popular é trabalhar com empresas, incluindo seguradoras e bancos, que querem se proteger contra eventos climáticos extremos.

Segundo Andrew Voysey, da consultoria Soil Capital, fazendas que usam práticas regenerativas superam as convencionais em secas, com perdas 10% menores.

Na Grã-Bretanha, o Lloyds Bank se uniu à Wildfarmed para criar um fundo de resiliência para alimentos e natureza, com empresas de água e seguradoras. Eles ajudam agricultores a melhorar a saúde do solo.

Ben Makowiecki, do Lloyds, diz que as empresas de água economizam até 6 libras para cada libra investida, e as seguradoras obtêm dados para entender como reduzir riscos.

"Não podemos fazer isso isoladamente", disse ele, defendendo uma mudança coletiva.

Outro programa é o Routes to Regen, que envolve McCain, McDonald's, Waitrose, bancos e seguradoras, oferecendo suporte aos agricultores.

Lançado no ano passado com 100 agricultores, quer alcançar 200 e expandir para mais seis condados.

Grandes grupos de alimentos se envolvem

"Construir um sistema alimentar mais resiliente é um desafio maior do que qualquer empresa sozinha", disse Jon Banner, diretor global de impacto do McDonald's, que planeja investir 1 bilhão de dólares na próxima década.

A McCain Foods, fabricante de batatas congeladas, já tem mais de 50% de seus fornecedores elegíveis a programas de apoio.

O vice-presidente Charlie Angelakos disse que a preocupação com abastecimento impulsionou a decisão. "Não é só estratégia climática, é garantia de suprimento."

Para muitos, o apoio das seguradoras é o catalisador. A Nestlé viu seguradoras oferecerem taxas menores em apólices quando os produtores usam práticas regenerativas.

Antonia Wanner, diretora de sustentabilidade da Nestlé, disse que isso é uma ferramenta nova e poderosa.

A seguradora Generali Itália lançou um projeto piloto com 500 fazendas, ligando práticas sustentáveis a indenizações maiores em eventos climáticos.

No Reino Unido, as autoridades não sabem quantas propriedades usam técnicas regenerativas, pois o termo varia.

Andy Gray é outro exemplo de agricultor que fez a transição. Em um dia quente, ele usou um termômetro a laser: no solo coberto com trevo, marcou 32°C, enquanto no solo nu marcou 51°C.

"Se eu conseguir manter a umidade por mais duas semanas, garanto duas semanas extras de crescimento", disse Gray, que cultiva milho em Devon. "Se o campo fica verde por mais tempo, produz por mais tempo."