Evento em São Paulo reuniu cerca de 1.000 participantes de 12 países para discutir os desafios da safra 2026/27: crédito restrito, demora nas análises de agrotóxicos, novas exigências de risco e incertezas no abastecimento, além de soluções em sustentabilidade e tecnologia.
O 17º Brasil AgrochemShow, realizado em São Paulo, trouxe um alerta para o agronegócio: a próxima safra pode ter crédito mais difícil, regras mais rígidas para agrotóxicos e desafios no abastecimento. O evento aconteceu nos dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, e reuniu cerca de 1.000 pessoas de 12 países.
- Brasil aprovou 912 agrotóxicos em 2025, número recorde, mas muitas autorizações estão travadas na Justiça.
- Novas regras da Anvisa passaram a valer em junho de 2026 e exigem mais estudos de segurança.
- Crédito para a safra 2026/27 será mais restrito e agricultores estão mais endividados.
- Importações brasileiras de agrotóxicos caíram 7,5% no primeiro semestre deste ano.
- Projeto que incentiva boas práticas no Cerrado mostra redução de doenças no solo e mais diversidade de insetos.
No encontro, foram debatidos temas como registro de agrotóxicos, avaliação de risco, compras da China, crédito rural, agricultura regenerativa, tecnologia de aplicação e inteligência artificial. A organização foi da AllierBrasil em parceria com a indústria química chinesa.
Recorde de registros, mas ainda há problemas
O Brasil bateu recorde de registros de agrotóxicos em 2025, com 912 aprovações, e já tinha autorizado mais 473 até julho de 2026. Porém, muitos produtos estão parados na Justiça, o que reduz o prazo médio de aprovação em um ano e meio. Além disso, 158 produtos foram retirados do mercado e 228 pedidos foram cancelados em 2025, mostrando que as empresas estão tendo prejuízo.
A Anvisa implementou novas regras para avaliar o risco de agrotóxicos para trabalhadores e moradores de áreas próximas. A medida vale desde 1º de junho de 2026, e os pedidos sem os documentos exigidos podem ficar parados.
As divergências entre o Ministério da Agricultura e a Anvisa sobre a aplicação da lei de 2023 continuam gerando processos na Justiça.
Crédito e China pesam nas decisões de compra
Para a safra 2026/27, o crédito mais escasso e o endividamento dos agricultores devem pressionar as vendas de insumos. A Coplacana, cooperativa do interior de São Paulo, apresentou as principais demandas dos produtores.
As importações de agrotóxicos pela primeira metade de 2026 caíram 7,5% em relação ao ano anterior, totalizando 333,4 mil toneladas. Ainda assim, as exportações chinesas para o Brasil voltaram a crescer em junho.
Conflitos internacionais e problemas de logística afetaram a chegada de matérias-primas como petróleo, enxofre e bromo, usados na produção de defensivos. A China ainda tem fábricas demais, o que mantém os preços baixos, mas também traz incertezas.
Sustentabilidade e tecnologia andam juntas
Um projeto chamado Regenera Cerrado mostrou que é possível produzir mais e com menos impacto ao meio ambiente. Nas áreas que adotaram práticas regenerativas, a população de fungos que causam doenças no solo caiu até 44%, e houve aumento da água no solo e mais abelhas.
O uso de drones e de técnicas de pulverização localizada também foi destaque, ajudando a aplicar defensivos de forma mais precisa, reduzindo desperdícios e riscos.
A inteligência artificial chegou ao campo, e já existem projetos que ajudam agrônomos a tomar decisões. Mas ainda falta capacitação para que a tecnologia seja usada por mais gente.
Bate-papos e alimentos
Os participantes também discutiram estratégias para reduzir os danos dos agrotóxicos, como estudos para proteger abelhas e a experiência do Paraguai, onde o registro de defensivos leva de 12 a 15 meses.
O evento arrecadou 22,8 mil quilos de alimentos, que foram doados para uma ONG em São Paulo, o que mostra a preocupação do setor com a comunidade.

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