No Congresso Brasileiro do Agronegócio, especialistas e políticos defendem uma estratégia de longo prazo para o setor, combinando competitividade, inserção internacional, financiamento, segurança e fortalecimento da indústria. O evento reuniu mais de 800 participantes em São Paulo e contou com a presença de candidatos à presidência e do ex-presidente Michel Temer.
O Brasil precisa construir uma estratégia de longo prazo que combine competitividade, inserção internacional, financiamento, segurança e fortalecimento da indústria. Essa foi a conclusão da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio, uma realização da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e da B3 a bolsa do Brasil, que recebeu mais de 800 participantes nacionais e internacionais no Sheraton WTC São Paulo Hotel, e contou com mais de três mil visualizações na transmissão online.
- O evento discutiu a necessidade de uma estratégia de Estado para o agro, envolvendo política econômica, comércio exterior, tecnologia, segurança e relações internacionais.
- Três candidatos à presidência (Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flavio Bolsonaro) apresentaram propostas para fortalecer a agroindústria brasileira.
- O ex-presidente Michel Temer defendeu o fortalecimento das exportações e a superação da polarização política como elementos para o desenvolvimento do país.
- O elevado endividamento do setor e a concorrência da China foram apontados como desafios a serem enfrentados.
- O evento também estreou o Future Flash, com apresentações sobre tecnologia, verticalização e transformação de desafios ambientais em oportunidades.
Queremos ser uma nação de oportunidades e traduzir nossos anseios em um país que possa trabalhar de forma consequente, destacou Ingo Plöger, presidente da Abag, que acrescentou a importância de ampliar instrumentos capazes de sustentar investimentos e reduzir os riscos da atividade produtiva.
Para Plöger, o avanço do agronegócio também precisa estar conectado ao desenvolvimento industrial, exigindo atuação coordenada entre diferentes setores. Defendeu ainda uma maior integração entre os diferentes agentes econômicos e sociais para que o país consiga avançar de maneira sustentável. O Brasil precisa de pacificação, harmonia, trabalho e visão de longo prazo.
Prioridades e Compromissos do Novo Governo
A competitividade do agro dependerá de sua capacidade produtiva, mas sobretudo de uma estratégia de Estado capaz de integrar política econômica, comércio exterior, tecnologia, segurança e relações internacionais. Neste contexto, os debatedores da mesa redonda Novo Governo: Prioridades e Compromissos, na edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio, ressaltaram a necessidade de uma agenda mais abrangente para o próximo governo, incluindo a maior inserção do país em âmbito internacional, novos acordos comerciais, aumento da competitividade industrial e financiamento para a agroindústria.
A mesa redonda contou com respostas de três candidatos à presidência da República, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flavio Bolsonaro, sobre temas prioritários, como a criação de um ambiente institucional e regulatório para o desenvolvimento da agroindústria brasileira, o fortalecimento das condições científicas, tecnológicas, produtivas, logísticas e financeiras; e a ampliação da competitividade em meio às transformações geopolíticas. Os três apresentaram propostas para atender esses desafios, ressaltando a importância da agroindústria para o Brasil.
Analisando as declarações dos candidatos, Alberto Pfeifer, Senior Policy Fellow do Insper Agro, comentou que o Brasil domina a produção tropical. Isso é algo valioso. E a Embrapa foi estratégica para a geopolítica como braço público. Contudo, é preciso entender o modelo global atual para uma inserção internacional ainda maior, por meio de tecnologia e informações. Com o avanço da fronteira agrícola, podemos ter importantes elementos de troca, disse.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, chamou a atenção para a situação financeira do agronegócio. O elevado endividamento do setor, associado aos juros e à inflação, deverá continuar pressionando empresas e produtores. O tamanho da dívida do agro é grande e vai continuar sendo um desafio, assim como os juros e a inflação. Como vamos passar por isso Acredito que seja por meio de mecanismos que ajustem as taxas sem interferir nos demais segmentos do mercado.
Outro ponto levantado pelo economista foi o avanço da China sobre o mercado brasileiro, com a chegada de produtos com elevada competitividade de preços, pressionando segmentos da indústria doméstica, e sobre a necessidade de acordos comerciais.
Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG, afirmou que o Brasil ocupa posição de liderança em diferentes mercados agrícolas, como açúcar e soja, mas essa relevância também traz vulnerabilidades.
Caminhos para o Futuro
Na palestra de encerramento do Congresso ABAG, o ex-presidente Michel Temer apresentou uma análise sobre os caminhos para o futuro do agronegócio brasileiro e defendeu fortalecimento das exportações, multilateralismo, segurança institucional e superação da polarização como elementos fundamentais para o desenvolvimento do país. O fortalecimento da agroindústria contribui para ampliar a industrialização e a capacidade produtiva do país, pontuou.
Temer ressaltou o peso do comércio exterior para a economia brasileira e afirmou que o Brasil deve preservar relações comerciais com diferentes mercados, evitando posicionamentos ideológicos que possam limitar oportunidades. É fundamental que as exportações continuem fortes para sustentar o PIB brasileiro e a relação comercial com o mundo.
O Congresso Brasileiro do Agronegócio estreou o Future Flash, com apresentações feitas por Mariana Vasconcelos, cofundadora e CEO da Agrosmart e Young Global Leader pelo World Economic Forum, que tratou de tecnologia digital; por Flávia Garcia Cid, produtora rural, empresária e gestora da Fazenda Jaracatiá, que abordou verticalização como valor para o agro; e por Victor Brian Magalhães, CEO da TerraMares Ambiental, que mostrou como transformar desafios ambientais em oportunidades.

Ingo Plöger, presidente da ABAG, no encerramento da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio. Crédito: Gerardo Lazzari




