O Brasil precisa se adaptar a um novo cenário geopolítico global, transformando as mudanças econômicas em chances de ampliar mercados e fortalecer o agronegócio. Especialistas debateram o tema no Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), em São Paulo.
O mundo está mudando e o Brasil precisa acompanhar. A antiga ordem global criada após a Segunda Guerra, com instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC), já não reflete mais o equilíbrio de forças atual. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência central, a China segue crescendo, e Índia e Rússia também participam desse novo jogo de alianças e disputas.
Para o agronegócio brasileiro, essa reorganização traz oportunidades e desafios. É o que defende o embaixador Alexandre Parola, que representou o Brasil no Marrocos. Ele participou da mesa redonda "O Agro na Geopolítica", durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), que celebrou 25 anos, em São Paulo. O evento foi organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em parceria com a B3.
- O Brasil precisa de estratégia de longo prazo, não só de ações imediatas.
- A segurança alimentar e energética virou prioridade mundial.
- O Estreito de Ormuz é um ponto crítico para o comércio global.
- O agro brasileiro pode diversificar mercados e reduzir riscos.
- Diplomacia e iniciativa privada devem trabalhar juntas.
Segundo Parola, o período de "negligência benigna" em relação ao Brasil acabou. As grandes potências agora levam em conta a segurança estratégica nas decisões econômicas e comerciais. "Isso abre oportunidades, mas exige adaptação", disse.
Outro especialista, o diplomata Braz Baracuhy, destacou que o Brasil tem interesses comuns com várias potências e pode se aproximar de outras regiões. Ele reforçou a importância de combinar a força da iniciativa privada com políticas de Estado de longo prazo, principalmente nas áreas de segurança alimentar e energética.
Baracuhy também chamou atenção para a dependência de rotas internacionais, como o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial. "O centro de gravidade da economia rural está no Estreito de Ormuz. Isso é preocupante, mas ainda há espaço para a diplomacia", avaliou.
Oportunidades para o agro
O debate mostrou que o Brasil pode transformar as mudanças globais em vantagens. Para isso, é preciso ampliar mercados, diversificar destinos e agregar valor à produção. Isso reduz a vulnerabilidade diante de mudanças na demanda ou nas relações comerciais entre as grandes potências.
O evento também serviu para reforçar a importância de uma visão de médio e longo prazo, tanto para o governo quanto para o setor privado. A geopolítica, que antes parecia distante do dia a dia do campo, agora é essencial para quem quer crescer e se manter competitivo.
Serviço
O 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio aconteceu no dia 10 de agosto de 2026, das 9h às 18h, no Sheraton WTC São Paulo Hotel, na Avenida das Nações Unidas, 12.559. Mais informações e inscrições no site: congressoabag.com.br.

Mesa redonda da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio debate o agro na geopolítica



