Pesquisa da UNESP de Jaboticabal mostra que o tipo de braquiária usado no consórcio com milho influencia diretamente a produtividade. O uso da braquiária híbrida Mavuno manteve a produção igual à do milho solteiro, enquanto a ruziziensis reduziu em 13%. Isso pode representar até R$ 1.450 a mais por hectare.
A escolha da braquiária no consórcio com milho não é um detalhe: ela pode preservar ou comprometer a produção de grãos. É o que demonstra um estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, que identificou diferenças significativas no desempenho do milho quando consorciado com braquiária híbrida Mavuno e braquiária ruziziensis.
- O milho consorciado com braquiária Mavuno produz o mesmo que o milho sozinho.
- A ruziziensis reduz a produção de milho em cerca de 13%.
- A Mavuno pode render até 22 sacas a mais por hectare em comparação com a ruziziensis.
- Isso significa um ganho extra de R$ 1.450 por hectare na receita.
- A Mavuno também gera mais biomassa para o solo, melhorando a sustentabilidade.
Os resultados fazem parte do estudo "A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho", desenvolvido pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares sob orientação do professor Anderson Prates Coelho e coorientação do pesquisador Victor Augusto da Costa Escarela, com o objetivo de avaliar o desempenho agronômico e produtivo do milho consorciado com diferentes braquiárias e doses de nitrogênio em cobertura.
Por que isso importa
O interesse pelo tema acompanha a expansão do uso de forrageiras em sistemas consorciados, impulsionada pelos benefícios que essas espécies proporcionam à conservação do solo, à ciclagem de nutrientes, à formação de palhada e à sustentabilidade do sistema produtivo. Nesse contexto, compreender como diferentes materiais se comportam durante o desenvolvimento da cultura do milho tornou-se fundamental para reduzir riscos e aumentar a eficiência do sistema.
Como foi o estudo
O experimento foi conduzido entre outubro de 2025 e abril de 2026 e comparou três sistemas de cultivo: milho solteiro, milho consorciado com a braquiária híbrida Mavuno e milho consorciado com a braquiária ruziziensis, além de avaliar diferentes doses de nitrogênio em cobertura.
Principais resultados
O principal resultado foi que o milho cultivado em consórcio com a braquiária híbrida Mavuno apresentou produtividade de grãos equivalente à do milho solteiro, enquanto o consórcio com a ruziziensis reduziu a produção em aproximadamente 13%. Já na comparação direta entre os dois consórcios, o milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno produziu 1.332 kg de grãos por hectare a mais do que o milho consorciado com braquiária ruziziensis, diferença equivalente a aproximadamente 22 sacas de milho por hectare.
Impacto econômico
Em termos econômicos, essa diferença ajuda a mostrar que a escolha da braquiária pode pesar muito mais no bolso do produtor do que apenas o preço da semente. Considerando como referência o preço médio de R$ 65,55 por saca apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea) ao longo de julho de 2026, as 22 sacas adicionais por hectare observadas no sistema com braquiária híbrida Mavuno poderiam representar aproximadamente R$ 1.450 a mais por hectare em receita bruta. Em uma área de 100 hectares, isso poderia significar cerca de R$ 143 mil adicionais apenas na produção de grãos, quando comparado ao sistema com braquiária ruziziensis.
Por que a Mavuno é melhor
Segundo o estudo, o melhor desempenho do Mavuno está relacionado ao seu desenvolvimento inicial mais equilibrado, que reduz a competição com o milho por luz, água e nutrientes justamente na fase em que a cultura define seu potencial produtivo. Já a Urochloa ruziziensis apresentou crescimento inicial mais agressivo, comprometendo características agronômicas importantes, como altura de plantas, diâmetro de colmo, componentes de produção e, consequentemente, a produtividade final.
Benefícios adicionais
Outro destaque do trabalho é o potencial forrageiro demonstrado pela braquiária híbrida Mavuno em cultivo exclusivo. Em cultivo exclusivo, a braquiária híbrida acumulou 14.280 kg de matéria seca por hectare, contra 9.603 kg/ha da ruziziensis, indicando elevado potencial para formação de biomassa em sistemas produtivos como de integração lavoura-pecuária.
Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, empresa responsável pelo desenvolvimento da braquiária híbrida Mavuno, os resultados reforçam a importância de considerar a escolha da forrageira como parte da estratégia produtiva da propriedade.
"O consórcio deixou de ser apenas uma ferramenta para formação de palhada. Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho e, ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem", explica.
Os resultados obtidos pela pesquisa reforçam a importância da escolha da forrageira no planejamento de sistemas consorciados, especialmente em propriedades que buscam aliar produtividade de grãos, formação de palhada e produção de biomassa.
De acordo com Pontes, a pesquisa amplia a discussão sobre o papel das forrageiras nos sistemas de produção. "O consórcio não é uma receita única. Cada material tem um comportamento agronômico diferente e isso precisa ser considerado na tomada de decisão. Trabalhos como esse ajudam o produtor a escolher com base em evidências, entendendo como a braquiária híbrida Mavuno pode contribuir para preservar a produção de grãos do milho e fortalecer o sistema de produção como um todo", conclui.

Estudo identificou diferenças significativas no desempenho do milho quando consorciado com braquiária híbrida Mavuno



