31 de julho de 2026

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Brasil pode liderar indicador global de sustentabilidade no agro, diz FAO

Agronegócio Sustentabilidade 31/07/2026 15:44 Assessoria de imprensa da ABMRA

O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, afirmou que o país tem condições de criar um sistema internacional para medir a sustentabilidade da agricultura, baseado em ciência. Ele destacou que o Brasil já superou as metas de produção de alimentos e pode ser referência mundial.

O Brasil reúne condições para liderar a construção de um indicador internacional capaz de medir a sustentabilidade da agricultura com base em regras científicas reconhecidas no mundo todo. Essa avaliação foi feita pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, durante o ABMRA Ideia Café, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). No encontro, que debateu o papel da comunicação na valorização do agronegócio brasileiro, ele também destacou que o país já superou as metas projetadas pela FAO para a produção de alimentos, se tornando um dos principais nomes da segurança alimentar mundial.

  • O Brasil superou em 120% a produção de alimentos entre 2005 e 2025, enquanto a FAO esperava um crescimento de 70%.
  • Jorge Meza sugeriu que o Brasil crie um sistema internacional de indicadores para medir a sustentabilidade da agricultura.
  • Esse sistema seria baseado em ciência e permitiria comparar o avanço de diferentes países.
  • O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO, com menos de 2,5% da população passando fome.
  • A proposta busca dar mais transparência e credibilidade às informações sobre a produção de alimentos no mundo.

Ao falar sobre o desempenho do agro brasileiro, Meza lembrou que, enquanto a FAO projetava um crescimento de aproximadamente 70% na produção de alimentos, o Brasil registrou um avanço de cerca de 120% entre 2005 e 2025, acompanhado por um aumento grande da capacidade de exportar. Segundo ele, esse resultado dá ao país condições de assumir uma posição de destaque na criação de padrões internacionais para avaliar a sustentabilidade da atividade agropecuária.

Nesse contexto, Meza defendeu que o Brasil apresente aos países-membros da FAO a proposta de criação de um sistema internacional de indicadores capaz de medir a sustentabilidade da agricultura com base em regras reconhecidas globalmente. Segundo ele, a iniciativa daria mais transparência às informações e permitiria comparar os avanços dos países a partir de uma metodologia comum.

"Hoje já temos metodologias reconhecidas internacionalmente para medir indicadores como a fome. O Brasil pode liderar a criação de um sistema parecido para medir a sustentabilidade da agricultura. Com indicadores aceitos internacionalmente e baseados em evidências científicas, cada país poderá mostrar, com transparência, a evolução de suas políticas e de seus sistemas de produção", recomendou.

Segundo o representante da FAO, a adoção de medidas padronizadas ajudaria a responder às crescentes demandas de consumidores, governos e mercados internacionais, cada vez mais interessados em entender a origem dos alimentos e os impactos ambientais ligados à sua produção. Para ele, uma metodologia reconhecida internacionalmente fortalece a credibilidade das informações e reduz o espaço para questionamentos sem base técnica.

"A narrativa precisa refletir aquilo que realmente existe. Ela não pode ser construída sobre estudos isolados ou informações pontuais, mas sobre uma base científica sólida, formada por governo, universidades, empresas e comunidade científica", afirmou.

Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o desafio agora é transformar os avanços do agronegócio em conhecimento acessível à sociedade, reforçando a contribuição do setor para o desenvolvimento do país.

"O agro brasileiro acumulou avanços extraordinários em produtividade, inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. A comunicação tem o papel de transformar esses resultados em conhecimento para a sociedade, valorizando as boas práticas e mostrando, com transparência e evidências, a contribuição do setor para o desenvolvimento do país e para a segurança alimentar mundial", analisou.

Segundo o diretor do ABMRA Ideia Café, Júlio Cargnino, encontros como o realizado nesta quarta-feira ampliam o diálogo entre especialistas e instituições sobre temas estratégicos para o futuro do agronegócio.

"Receber o representante da FAO, Jorge Meza, no ABMRA Ideia Café reforça a importância de promover debates baseados em ciência e evidências. Em um cenário marcado pela desinformação, criar espaços para discutir comunicação, segurança alimentar e sustentabilidade é essencial para fortalecer uma narrativa baseada em fatos e aproximar o agro da sociedade", afirmou.

Jorge Meza também lembrou que, embora o mundo produza alimentos suficientes para toda a população, cerca de 7,8% das pessoas ainda vivem em situação de subalimentação. Segundo ele, esse cenário reforça o papel estratégico do Brasil para a segurança alimentar global e mostra que o desafio atual vai além da produção, envolvendo também distribuição, acesso aos alimentos e a transformação dos sistemas agroalimentares.

Brasil fora do Mapa da Fome

Durante o encontro, Jorge Meza também destacou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO. Segundo ele, atualmente menos de 2,5% da população brasileira passa fome, enquanto a insegurança alimentar grave atinge cerca de 0,6% da população. Para o representante da Organização, esse resultado reflete a capacidade produtiva do país junto com as políticas públicas de acesso aos alimentos.