Uma forte chuva com granizo destruiu uma plantação de tomates que fazia parte de uma pesquisa científica em Ribeirão Preto. O estudo, que estava quase concluído, analisava a genética de diferentes variedades de tomate para criar plantas mais resistentes. Apesar do prejuízo, os pesquisadores pretendem recomeçar o trabalho.
A chuva forte que atingiu o norte do Estado na última sexta-feira (24) destruiu uma plantação de tomates que fazia parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) apurou que o objetivo do experimento, iniciado no ano passado, era analisar características genéticas das cultivares e renovar o banco de sementes do IAC.
- A chuva com granizo destruiu uma plantação de tomates que era usada em uma pesquisa científica.
- O estudo, que durou um ano, estava perto de ser concluído e analisava 300 tipos diferentes de tomate.
- Os tomates eram resistentes a 10 doenças, mas não resistiram à chuva forte e ao vento.
- As sementes que sobraram serão levadas para Campinas para serem guardadas com segurança.
- A falta de estrutura e de funcionários prejudica a pesquisa científica no estado de São Paulo.
O temporal aconteceu a menos de um mês da conclusão do experimento de campo.
Os acessos plantados já estavam formados, com frutos desenvolvidos, mas como a chuva veio acompanhada de ventos muito fortes e granizo, toda a plantação foi destruída, incluindo a folhagem utilizada na pesquisa genética, conta Roberto Blanco, pesquisador científico do IAC.
A pesquisa é realizada em parceria com uma empresa japonesa de sementes, que financia o estudo. Na primeira etapa do experimento, realizada no ano passado, 300 acessos foram utilizados para produção de sementes, incluindo variedades selvagens e híbridas com maior resistência às pragas.
Os resultados obtidos foram muito promissores, gerando sementes que foram posteriormente plantadas na área afetada pela chuva forte. Os acessos se mostraram resistentes a dez doenças diferentes, mas infelizmente não ao extremo climático, comenta o pesquisador, que pretende retomar o estudo.
As sementes remanescentes da primeira fase do projeto estão armazenadas em uma câmara fria, mas com os danos provocados nos prédios do IAC, que foram destelhados e ficaram sem energia, todo material será transferido para a sede do Instituto em Campinas.
Além do experimento sobre tomates, outra estufa com acervo e sementes de pimentas também foi parcialmente danificada. São danos que agravam a condição atual da pesquisa científica no Estado, que tem gerado resultados graças ao empenho dos pesquisadores, mas faltam estrutura adequada e profissionais de apoio à pesquisa, comenta Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC.
Na área de pesquisa dedicada ao tomate, o pesquisador não conta hoje com servidores de apoio à pesquisa e depende de contratação de terceiros quando precisa realizar algum tipo de manejo da área.
Alerta
A destruição de experimentos e de parte da infraestrutura do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto, ocorreu poucos dias após a APqC alertar o Governo do Estado sobre a falta de planejamento e de recursos para enfrentar os efeitos de eventos climáticos extremos. Em nota divulgada na semana passada, a entidade advertiu que a aproximação de um novo período de influência do El Niño amplia o risco de incêndios e de chuvas fortes em áreas estratégicas para a pesquisa agropecuária e a conservação ambiental. Segundo a APqC, as 39 áreas de pesquisa vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) não contam com orçamento específico para ações preventivas, enquanto as 47 áreas de pesquisa e conservação ambiental enfrentam estrutura insuficiente para prevenção e combate a incêndios justamente em um cenário de maior risco climático.
A entidade cita como exemplo a Fazenda Experimental de Monte Alegre do Sul, onde a falta de recursos compromete até as ações preventivas. A unidade enfrenta restrição de combustível, dificultando a construção de aceiros, e já acumula um histórico de grandes incêndios que, desde 2008, destruíram experimentos, áreas de pesquisa, infraestrutura e reservas ambientais, incluindo um incêndio que se prolongou por 36 horas em 2024.
Para a APqC, esse cenário é agravado pelo desmonte da estrutura de pesquisa pública. Nas fazendas experimentais, a extinção da carreira de apoio obriga pesquisadores a assumirem atividades de manutenção, comprometendo o tempo dedicado à ciência e reduzindo a capacidade de prevenção.
Na área ambiental, a entidade afirma que a contratação temporária de brigadistas não substitui equipes permanentes, integradas à pesquisa, à conservação e ao manejo das unidades, condição essencial para uma atuação eficiente. A associação também lembra que o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão do ministro Flávio Dino, determinou que o Estado apresente um plano de contratação de pesquisadores ambientais, reconhecendo que a falta de reposição de profissionais compromete a capacidade técnico-científica e a proteção das áreas de conservação.

Pesquisa de campo do IAC Ribeirão Preto sobre genética de tomates é destruída pela chuva



