29 de julho de 2026

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Lições da China para a Europa sobre a pecuária brasileira

Agronegócio Pecuária 29/07/2026 07:41 Teresa Cristina (Teka) Vendramini - AgFeed agfeed.com.br

O Brasil precisa atender às exigências de cada país para exportar carne, sem prejudicar seus próprios produtores com regras muito rígidas.

Em 2004, o Brasil e a China criaram um acordo de regras sanitárias para vender carne bovina para o país asiático.

Foi assim que surgiu o chamado 'boi padrão China'. Esse é um animal abatido com menos de 30 meses, com até quatro dentes incisivos. A criação desse boi precisa seguir regras rígidas de saúde e alimentação.

  • Acordo com a China em 2004: O Brasil e a China fizeram um acordo para vender carne, o que criou o 'boi padrão China'.
  • Exigências europeias atuais: A Europa quer restringir o uso de remédios dados aos bois, o que mudaria a criação no Brasil.
  • Lição do passado: No passado, as exigências da China foram vistas como um desafio, mas o Brasil se adaptou e melhorou sua produção.
  • Não prejudicar o Brasil: A pecuarista defende que o Brasil não deve criar regras nacionais para atender só a Europa, pois isso pode prejudicar a competitividade.
  • Oportunidade de modernização: As novas regras podem ser uma chance para os produtores melhorarem suas técnicas e se modernizarem.

Na época, o acordo poderia ter sido visto como uma barreira para o Brasil, uma forma disfarçada de dificultar a venda de carne para a China.

Mas, em vez de reclamar, os pecuaristas e a indústria brasileira investiram pesado em produtividade e rastreabilidade. Esse investimento gerou grandes mudanças e melhorias na criação de gado.

Uso esse exemplo para mostrar que as exigências comerciais podem, na verdade, criar oportunidades e trazer ganhos de produção.

No entanto, mais de 20 anos depois, ainda estamos discutindo as novas exigências da Europa, que pedem a redução do uso de antimicrobianos (remédios que combatem bactérias).

Já passamos por isso com a China, e podemos passar com a Europa também.

Assim como aconteceu com o 'boi China', a decisão de seguir as novas regras deve ser do pecuarista. O incentivo financeiro, com certeza, será o que vai fazer ele escolher esse caminho.

O Brasil deve atender às exigências de cada mercado de forma individual, sem criar regras nacionais que atrapalhem a competitividade de toda a cadeia produtiva.

Proibir o uso de antimicrobianos em todo o país só para atender a Europa coloca a nossa pecuária em risco. Além disso, isso enfraquece a nossa soberania nas relações com outros países.

Depois de abrir esse precedente, imagine quantas outras exigências vão aparecer disfarçadas de segurança alimentar.

Com incentivos econômicos claros, essas exigências europeias podem ser, para nós, pecuaristas, mais uma chance de modernizar a produção, melhorando as práticas de manejo e a regulação sanitária.

Teresa Cristina (Teka) Vendramini é fazendeira, socióloga e conselheira da Embrapa. Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).