Com previsão de excesso de chuvas no Sul e seca no Centro-Norte, produtores devem redobrar a atenção contra o avanço da brusone nas lavouras
O fenômeno El Niño apresenta probabilidade superior a 90% de permanência até o começo de 2027, provocando fortes contrastes climáticos no Brasil, segundo monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). De acordo com as previsões, enquanto a Região Sul enfrentará chuvas excessivas e baixa luminosidade, o Centro-Norte do país sofrerá com seca e altas temperaturas. Essas condições modificam o ambiente das lavouras, criando um cenário favorável à disseminação de pragas e doenças fúngicas que ameaçam a qualidade das safras.
- O El Niño deve durar até 2027, com chuvas no Sul e seca no Centro-Norte.
- A brusone é a doença mais perigosa para o arroz no Brasil.
- O fungo Pyricularia oryzae se espalha rápido com umidade e calor.
- O tratamento de sementes com fungicidas ajuda a prevenir a doença.
- A proteção das panículas é essencial para garantir a produção de grãos.
A cultura do arroz pode enfrentar desafios tanto no cultivo irrigado quanto em terras altas, seja pelo solo encharcado ou pelo estresse hídrico. Outro fator de preocupação para as safras é a ocorrência da brusone, doença causada pelo fungo Pyricularia oryzae, que tem seu desenvolvimento acelerado em condições de umidade relativa acima de 89%, temperaturas entre 20°C e 30°C e longos períodos de molhamento foliar.
A brusone é a doença mais destrutiva do arroz. Ocorre em todo o território brasileiro e pode comprometer toda a produção, explica o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fabio Kagi.
Prevenção e controle
Capaz de se manifestar em toda a parte aérea do arroz e em qualquer estágio de desenvolvimento da planta, ela exige atenção logo aos primeiros sintomas visíveis, como pequenos pontos castanhos que evoluem para manchas arredondadas, com extremidades agudas e centro necrótico, onde o fungo se reproduz. Com o avanço do quadro, essas lesões podem se unir e comprometer extensas áreas da folhagem, prejudicando a saúde de toda a lavoura.
Para reduzir os impactos da doença, é recomendado adotar um manejo integrado. Um dos principais focos desse processo são as sementes contaminadas deixadas sobre o solo, que se tornam fontes de inóculo e podem ser disseminadas pela chuva.
O tratamento de grãos com fungicidas sistêmicos é uma das medidas mais eficazes atualmente. A prática garante proteção na fase vegetativa contra infecções primárias, normalmente oriundas de lavouras vizinhas ou de restos culturais de safras anteriores, destaca o profissional.
Nas panículas, a proteção preventiva contra a doença é considerada crítica, por afetar diretamente o enchimento dos grãos. As primeiras aplicações devem ocorrer entre emborrachamento e o início de emissão das panículas, seguindo a recomendação disposta em bula para o produto, alerta Kagi.

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