03 de julho de 2026

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Cooperativismo ajuda a reciclar embalagens de agrotóxicos e protege o meio ambiente

Agronegócio Cooperativismo 03/07/2026 14:52 Nathalie Campoy, LVBA Comunicação

Cooperativas e associações de agricultores estão ajudando o Brasil a reciclar mais embalagens de agrotóxicos. Em 2025, o Sistema Campo Limpo, que cuida da destinação correta dessas embalagens, bateu um novo recorde, reciclando 92% do material recebido. Isso mostra como a união dos produtores rurais pode tornar a agricultura mais sustentável.

Mais do que impulsionar a produção agrícola brasileira, as cooperativas desempenham um papel estratégico na construção de um agronegócio cada vez mais sustentável. No Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, elas são parte fundamental da rede que conecta produtores rurais às unidades de recebimento, contribuindo para que o Brasil mantenha um dos modelos de logística reversa mais eficientes e reconhecidos do mundo.

  • Em 2025, o Brasil reciclou 92% de todas as embalagens de agrotóxicos devolvidas, um novo recorde.
  • As cooperativas são essenciais para levar o sistema de reciclagem até os pequenos produtores em áreas distantes.
  • O programa já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens desde 2002.
  • Foram realizados 4.795 recebimentos itinerantes em 2025, 20% a mais que no ano anterior.
  • A economia circular transforma as embalagens recicladas em mais de 30 tipos de produtos, como tambores e baldes.

Os resultados do Relatório de Sustentabilidade 2025 do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade que representa a indústria fabricante no Sistema Campo Limpo, mostram a força dessa atuação conjunta. Em 2025, foram destinadas corretamente 75.996 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Desse total, 92% seguiram para reciclagem, sendo transformadas em mais de 30 tipos de artefatos homologados, consolidando um modelo baseado na economia circular.

A ampla participação de cooperativas, revendas e associações também contribui para a expansão da capilaridade do Sistema. Atualmente, o programa está presente em 25 estados e no Distrito Federal, com 424 unidades de recebimento, além de promover Recebimentos Itinerantes que aproximam ainda mais a logística reversa dos pequenos produtores. Somente em 2025 foram realizados 4.795 Recebimentos Itinerantes, número 20% superior ao registrado no ano anterior.

O papel das cooperativas no campo

"O cooperativismo representa um elo essencial dentro do Sistema Campo Limpo. A proximidade das cooperativas com os agricultores fortalece a orientação técnica, amplia o acesso às unidades de recebimento e torna a responsabilidade compartilhada uma realidade em todo o país. Os resultados alcançados mostram que a sustentabilidade no campo depende da atuação coordenada de todos os participantes da cadeia", afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV.

A responsabilidade compartilhada é justamente o princípio que sustenta o Sistema Campo Limpo. Agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público exercem funções complementares para garantir a destinação ambientalmente adequada das embalagens pós-consumo. Nesse contexto, cooperativas e associações exercem papel estratégico ao gerenciar unidades de recebimento, orientar produtores e ampliar o alcance da logística reversa nas diferentes regiões produtoras do Brasil.

Segundo Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da COAMO, a proximidade das cooperativas com os produtores é essencial para o bom funcionamento da logística reversa no campo.

"É importante destacar que esse resultado é fruto de uma evolução ao longo do tempo, especialmente na conscientização dos produtores rurais. Houve um trabalho muito forte de educação e orientação, desde o início, sobre a importância da tríplice lavagem, da inutilização correta e da devolução ambientalmente adequada das embalagens. Nesse contexto, as cooperativas têm um papel fundamental, porque estão diretamente no campo, próximas dos produtores. Elas são responsáveis por orientar, disseminar boas práticas e garantir que as informações cheguem de forma clara. Essa proximidade faz com que o Sistema funcione de maneira organizada e eficiente."

Além da infraestrutura fixa, a atuação dessas organizações também impulsiona iniciativas que levam o Sistema a localidades mais distantes, contribuindo para o crescimento da capilaridade e para a manutenção de elevados índices de devolução e destinação ambientalmente adequada das embalagens.

Desde o início de sua operação, em 2002, o Sistema Campo Limpo já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, resultado construído pela integração entre todos os elos da cadeia produtiva. Em 2025, o Sistema também reduziu em 5% o gasto operacional por quilo destinado, demonstrando que é possível ampliar escala, eficiência e sustentabilidade simultaneamente.