O Ministério da Agricultura aprovou a raça Senangus, um cruzamento entre as raças Senepol e Angus. Essa nova genética promete criar animais que crescem mais rápido, se adaptam bem ao calor do Brasil e produzem carne de primeira qualidade, chamada de carne premium. O pecuarista Diogo Bianchi, do Paraná, é o pioneiro nesse trabalho.
Quando a rusticidade e o bom desempenho se encontram com a qualidade da carne, surge um novo caminho para a pecuária de corte. É com essa ideia que o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana (PR), está fazendo um trabalho pioneiro na seleção da raça Senangus, que é o cruzamento entre as raças Senepol e Angus. Isso deu origem a um projeto novo que aposta em uma genética eficiente, bem adaptada e que atende às exigências do mercado de carne bovina premium.
- A nova raça Senangus é um cruzamento entre o gado Senepol (que aguenta bem o calor) e o Angus (conhecido pela carne de alta qualidade).
- O projeto começou em 2019 e os primeiros resultados foram surpreendentes: os animais cresceram muito bem mesmo pastando em terrenos difíceis.
- Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, e os bezerros pesaram, em média, 292 kg aos 6,5 meses de idade, só no pasto.
- A raça tem duas versões: uma com mais sangue Angus (75%) para carne de melhor qualidade e outra com mais sangue Senepol (75%) para animais mais resistentes em regiões quentes.
- A meta do projeto é, em até dez anos, ter 200 matrizes (vacas) e produzir entre 100 e 120 touros por ano, tornando a raça uma opção forte no mercado.
Diogo Bianchi, que está à frente da Senangus Criação de Bovinos, coloca em prática uma visão que construiu ao longo de anos de experiência no campo. O ponto de virada veio quando ele dominou as biotecnologias reprodutivas e viveu de perto sistemas produtivos intensivos. Isso foi o começo para ele entender os limites das principais raças usadas no país. A experiência com o Nelore mostrou lacunas que poderiam ser aproveitadas em relação à qualidade da carne e à rapidez de crescimento.
Foi a partir dessa análise que surgiu a aposta na raça Senangus, que acabou de ser homologada pelo Ministério da Agricultura através da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). De um lado, está a rusticidade, a habilidade materna e a adaptação ao clima tropical do Senepol, que é originário das Ilhas Virgens Americanas. Do outro, está a qualidade inquestionável da carne do Angus, que é bem marmorizada (com gordura entremeada). "Cada raça tem suas características especiais. Quando juntamos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação", explica o criador.
O início do projeto Senangus remonta a 2019, quando Bianchi inseminou vacas Senepol sem saber exatamente o que esperar. Os resultados surpreenderam, gerando animais com desempenho no pasto fora do normal, excelente adaptação e fertilidade. "Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos", destaca.
Também pesou na decisão a percepção de mercado. No Paraná e em diferentes regiões do país, a demanda por animais de pelagem preta é grande, especialmente na exportação de gado em pé, que registrou recorde no ano passado, com mais de 1 milhão de bovinos exportados.
Ao incorporar a genética Aberdeen Angus, o projeto mira também nessa demanda, sem abrir mão de atributos fundamentais como ganho de peso, rendimento e qualidade de carcaça.
Produtividade dos animais Senangus
Com o avanço das biotecnologias, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, resultando em uma geração que já mostrava desempenho acima da média. Na desmama, os bezerros apresentaram ganho superior ao Nelore, com média de 292 kg aos 6,5 meses, criados exclusivamente a pasto. "O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase", ressalta Bianchi.
Flexível, o trabalho da Senangus se apoia em duas frentes principais: uma com predominância Angus (75%) e outra com maior participação Senepol (75%), permitindo atender diferentes biomas e sistemas produtivos. Os machos com maior porcentagem de sangue do taurino adaptado (Senepol) são voltados para a cobertura a campo, especialmente em vacas zebuínas localizadas em ambientes desafiadores, como o Norte e o Nordeste.
Já as fêmeas Senangus terão papel estratégico na genética PO (Puro de Origem), formando novas gerações adaptadas ao clima tropical. Além disso, o projeto antecipa tendências, como o beef-on-dairy (produção de carne em rebanhos leiteiros), ampliando as possibilidades de uso da genética Senangus em sistemas leiteiros. "Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção", explica.
Estrutura do projeto
A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa "Parceria entre Amigos", criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética. O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado para a sucessão familiar. Paralelamente, ele presta serviços reprodutivos, principalmente IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e transferência de embriões.
"Em até dez anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional", prevê o proprietário da Senangus.

Pioneiro no Senangus, Diogo Bianchi, de Luiziana (PR)




