Saiba como Brasil e Noruega, apesar da rivalidade esportiva, estão ampliando os negócios no agronegócio com um acordo de livre comércio que promete reduzir impostos e aumentar as exportações de carne, café, soja e outros produtos brasileiros para o país europeu, gerando mais oportunidades e emprego.
No domingo, dia 5 de julho, Brasil e Noruega se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Dentro de campo, a rivalidade é forte, mas fora dele, a história é outra. Os dois países estão cada vez mais parceiros, e o agronegócio brasileiro é um dos principais motores dessa união.
Há um ano, o Mercosul (bloco do qual o Brasil faz parte) e a EFTA (bloco que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein) fecharam um acordo de livre comércio. Esse acordo vai facilitar a venda de produtos brasileiros para esses países europeus. No dia 9 de junho, a Câmara dos Deputados aprovou os termos, e agora o documento precisa ser votado no Senado.
- O que é um acordo de livre comércio É como um "combinado" entre países para vender e comprar produtos com menos impostos e burocracia, o que barateia os preços e aumenta as vendas.
- Quais produtos brasileiros serão mais beneficiados Carne de boi, frango e porco, café, soja, milho, mel e frutas como uvas e melões vão ter mais facilidade para chegar à Noruega e outros países do bloco.
- E os produtos industriais O acordo também vai ajudar a vender calçados, móveis, madeira, celulose e produtos de ferro e aço, que terão todos os impostos eliminados assim que o acordo começar a valer.
- Quanto o Brasil já exporta para a Noruega Só até maio de 2026, o Brasil vendeu mais de 664 milhões de dólares em matérias-primas (como minérios) e 126 milhões em combustíveis para o país europeu.
- Por que isso é importante O acordo dá mais segurança para as empresas investirem e criarem empregos, além de diminuir a dependência do Brasil de poucos compradores, como a China.
O acordo prevê a redução de tarifas (impostos), a simplificação de processos e a criação de cotas de exportação com isenção de impostos. Para o agronegócio, isso significa mais previsibilidade, acesso a novos mercados e muitas oportunidades de negócios.
O bloco da EFTA, especialmente Suíça e Noruega, vai dar acesso preferencial e cotas com tarifas reduzidas ou zeradas para os produtos brasileiros. Os mais beneficiados serão as carnes bovina, de aves e suína, o café (verde e torrado), a soja, o milho, o mel e frutas frescas, como uvas e melões.
Para a indústria, a EFTA se comprometeu a eliminar 100% das tarifas sobre produtos industriais e pesqueiros assim que o acordo entrar em vigor. Isso vai permitir que setores brasileiros, como calçados, móveis, madeira, celulose e produtos semimanufaturados de ferro e aço, ganhem competitividade imediata.
Na mineração, setores como a exportação de ouro, óxidos e hidróxidos de alumínio também devem ganhar mais fluidez e segurança jurídica nas operações logísticas com o bloco europeu.
Palavra de especialista
A parceria comercial entre Brasil e Noruega já tem história e números que mostram sua importância. Até maio de 2026, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou para o país europeu mais de 664 milhões de dólares em matérias-primas não comestíveis, além de 126 milhões de dólares em combustíveis minerais. Máquinas e equipamentos de transporte somaram 80 milhões de dólares, e produtos alimentícios e animais vivos ultrapassaram 55 milhões de dólares. É uma pauta diversificada, que inclui minerais, café e soja (tanto em grãos quanto em farelo) e abastece cadeias industriais e alimentares estratégicas da economia norueguesa.
Para quem acompanha de perto as negociações internacionais do agro, o momento é simbólico. "A Noruega é um parceiro comercial consistente, e o acordo Mercosul-EFTA ajuda a transformar essa relação em algo ainda mais estruturado. Ele dá segurança jurídica, reduz incertezas e abre portas para segmentos que antes tinham pouca margem de expansão", afirma Frederico Favacho, sócio de agronegócios e contratos do Santos Neto Advogados.
Além dos ganhos econômicos, o acordo reforça uma mensagem política importante: a defesa do multilateralismo em um mundo cada vez mais polarizado. A Noruega, que construiu seu modelo de desenvolvimento com base na cooperação internacional, vê no entendimento com o Mercosul uma forma de fortalecer cadeias produtivas e ampliar investimentos. Para o Brasil, é a chance de diversificar mercados e consolidar sua presença em setores de alto padrão.
Favacho destaca que o impacto vai além das estatísticas. "Quando dois blocos se comprometem com regras claras, previsibilidade e abertura comercial, as empresas conseguem enxergar oportunidades que antes simplesmente não existiam. Isso vale para o agro brasileiro, que ganha espaço para mostrar sua competitividade e sua capacidade de atender mercados sofisticados", diz o advogado.
Assim, quando a bola rolar no domingo, a rivalidade será legítima, mas limitada ao futebol. "No comércio, na diplomacia e na construção de cadeias produtivas sustentáveis, Brasil e Noruega atuam lado a lado. E o agronegócio brasileiro é protagonista dessa parceria que cresce longe dos holofotes, mas com impacto real na economia dos dois países", conclui o especialista.

Bandeiras Brasil e Noruega, parceiros comerciais no bloco EFTA (Getty Images)




