Um vírus chamado rotavírus C está causando diarreia em leitões recém-nascidos e se espalhando pelas fazendas. Especialistas explicam que é preciso melhorar a limpeza e o cuidado com os animais para evitar que a doença se alastre e cause prejuízos aos produtores.
A diarreia em leitões recém-nascidos é um dos maiores problemas de saúde nas granjas de porcos. Um novo vírus, o rotavírus do grupo C, está se espalhando com mais força e acendeu um alerta entre os criadores do Brasil. Dados recentes mostram que esse vírus está sendo encontrado com mais frequência em leitões que ainda estão mamando.
- O rotavírus C (RVC) está se espalhando rápido: Ele já foi encontrado na maioria das granjas do país, independentemente do tamanho ou da limpeza.
- Ele ataca leitões novinhos: O vírus causa diarreia forte e amarelada, principalmente nos primeiros dias de vida, quando os filhotes são mais fracos.
- A doença pode vir junto com outras: Muitas vezes, o rotavírus C aparece junto com bactérias e parasitas, o que piora a saúde dos animais.
- A limpeza das granjas é essencial: Para controlar o vírus, é preciso revisar a rotina de cuidados, como a desinfecção dos galpões e o manejo dos animais.
- O prejuízo pode ser grande: A diarreia atrapalha o crescimento dos leitões e aumenta os custos com remédios e tratamento, além de reduzir o lucro do produtor.
Antigamente, o rotavírus do grupo A era o principal causador dessas infecções. Porém, com o tempo, as granjas criaram defesas contra esse vírus, e o rotavírus C, que é mais mutante, encontrou um espaço para crescer. O professor Luís Guilherme de Oliveira, especialista em doenças de porcos, explica que o RVC é um vírus de RNA que sofre muitas mutações, o que dificulta o combate.
Impacto na saúde dos leitões
Como os animais não têm proteção contra esse novo tipo de vírus, eles ficam mais vulneráveis e podem ter surtos graves. O RVC ataca o intestino dos leitões, impedindo a absorção de nutrientes e causando diarreia. Os sinais mais comuns são diarreia aquosa e amarelada, junto com um baixo ganho de peso.
O vírus se espalha rapidamente entre os animais da mesma leitegada (irmãos de ninhada). O professor alerta que, muitas vezes, o RVC aparece junto com outros bichos, como bactérias e parasitas. Por isso, é fundamental fazer exames de laboratório para descobrir a causa exata da doença e dar o tratamento certo.
Disseminação e biosseguridade
Estudos recentes mostram que o RVC já está presente em praticamente todas as granjas do Brasil, mesmo naquelas que seguem todas as regras de segurança. Isso indica que existem falhas na biosseguridade, ou seja, nas medidas para evitar a entrada e a propagação de doenças.
Para conter o vírus, as granjas precisam reforçar a limpeza e a desinfecção. Se não houver um cuidado rigoroso, o ambiente após um surto de diarreia fica muito contaminado, o que prejudica a saúde e o crescimento dos próximos animais que nascerem. Esse problema não é só de saúde, mas também financeiro, já que a diarreia neonatal afeta diretamente a produtividade e o lucro dos criadores.

Foto: ACCS/ Divulgação


