Um novo estudo mostra que a merenda escolar pode ser uma grande aliada para incentivar a agricultura familiar a produzir de forma mais sustentável, usando menos venenos e cuidando melhor do meio ambiente.
Um estudo feito pelo Instituto Comida do Amanhã, junto com o Instituto Regenera, o Instituto Fome Zero e o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP) no Brasil, descobriu novas formas de aumentar a comida saudável na merenda escolar.
Esse programa, chamado PNAE, é um dos maiores do mundo e atende 40 milhões de estudantes em 150 mil escolas de todo o Brasil. A pesquisa mostra que ele pode fazer muito mais do que só alimentar as crianças: pode ajudar os pequenos agricultores a produzirem de forma mais ecológica.
- O PNAE atende 40 milhões de alunos em todo o Brasil, sendo um dos maiores programas de alimentação escolar do mundo.
- Atualmente, só quem já é certificado como agricultor orgânico ganha vantagens para vender para as escolas.
- O estudo sugere criar uma categoria especial para agricultores que estão mudando para um jeito mais sustentável de plantar.
- Uma das ideias é dar mais assistência técnica e dinheiro para ajudar os agricultores nessa mudança.
- Comprar mais alimentos da região e da época certa pode deixar a merenda mais gostosa e nutritiva.
Caminhos para melhorar o PNAE
O estudo mostra que existem chances de melhorar o programa para incentivar a agricultura ecológica. Hoje, apenas os agricultores que já são orgânicos recebem benefícios para vender para as escolas. Quem está começando a mudar sua forma de plantar não tem esse apoio. O documento sugere criar maneiras de reconhecer e ajudar esses produtores que estão em transição.
A pesquisa também fala sobre a importância de garantir que o programa continue oferecendo comida saudável mesmo quando os preços dos alimentos sobem. Uma ideia é atualizar o dinheiro que é dado para a merenda escolar, para que as prefeituras consigam comprar alimentos de qualidade.
Apoio aos agricultores
Outro ponto importante é a necessidade de dar mais apoio aos pequenos agricultores. Isso inclui acesso a insumos naturais, máquinas, crédito e água. Também é preciso melhorar as regras financeiras para que elas acompanhem as mudanças no campo.
Ter mais assistência técnica especializada em agroecologia é fundamental. "O agricultor que quer mudar sua forma de produzir precisa de suporte. Com crédito e ajuda técnica, ele consegue adotar práticas ecológicas e vender mais para o PNAE", diz Roberta Curan, do Instituto Comida do Amanhã.
Comida da região e da época
O estudo também sugere aumentar a presença de alimentos típicos de cada região e da época certa nos cardápios das escolas. Para isso, é preciso mapear melhor a produção local e melhorar a conversa entre as áreas de educação e agricultura, para que a oferta dos agricultores combine com o que as escolas precisam.
Recomendações para fortalecer o programa
O documento traz seis recomendações principais: criar uma regra oficial para a "transição agroecológica" nas compras públicas, dar preferência a esses alimentos nas compras do PNAE, publicar notas técnicas para dar segurança jurídica aos gestores e incluir cláusulas em contratos para garantir a compra da agricultura familiar.
O estudo defende a criação de uma lei nacional para reconhecer a transição agroecológica, com a participação de governos, universidades, cooperativas e organizações sociais. Também reforça a importância de fortalecer políticas locais que incentivem a diversificação da produção, a assistência técnica e o apoio a cooperativas, mulheres e jovens agricultores.
O estudo mostra que o PNAE já é muito importante para a segurança alimentar e o desenvolvimento local. Com algumas melhorias, ele pode ajudar ainda mais a construir um sistema de alimentação mais sustentável e forte no Brasil.

Acervo - Comida do Amanhã


