18 de junho de 2026

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Estudantes de Mato Grosso do Sul criam robôs para ajudar no campo

Agronegócio Inovacao 18/06/2026 11:51 Angelo Miguel Oliveira Lima

Alunos de escolas públicas desenvolveram projetos inovadores, como robôs que produzem água a partir do ar e drones que combatem incêndios, para resolver problemas reais do agronegócio

Toda grande inovação começa com uma pergunta simples: "E se fosse possível". Foi pensando assim que estudantes de escolas públicas de Sidrolândia, São Gabriel do Oeste e Maracaju, em Mato Grosso do Sul, criaram protótipos para ajudar no futuro do agronegócio.

  • Os robôs foram feitos com materiais recicláveis, como papelão e garrafas pet, mostrando que é possível inovar com pouco.
  • O projeto "Cultura Robótica" envolveu cerca de 5 mil alunos, que tiveram aulas de robótica, arte e sustentabilidade.
  • Uma das ideias mais criativas foi um robô que produz água a partir da umidade do ar, usando energia solar.
  • Outro projeto criou um trator movido a vento (energia eólica), que planta, irriga e colhe sem poluir.
  • Os alunos também pensaram em drones para monitorar queimadas e reflorestar áreas destruídas, ajudando a preservar o meio ambiente.

As criações surgiram durante o projeto Cultura Robótica, realizado pelo Ministério da Cultura e pela Sustentabilidade e Cultura Produções, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Áster, concessionária John Deere em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nas oficinas, que uniram arte, criatividade e robótica, cerca de 5 mil estudantes foram convidados a transformar problemas reais do campo em soluções inovadoras para a produção agrícola, a preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais.

"Quando falamos em inovação, muitas vezes pensamos em grandes centros de pesquisa ou em grandes empresas de tecnologia. Mas toda inovação começa com alguém imaginando algo que ainda não existe. O que vimos nas escolas foi exatamente isso: crianças e adolescentes exercitando criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas reais por meio da tecnologia", afirma Raíza Araújo, coordenadora do projeto pela Sustentabilidade e Cultura Produções.

Sidrolândia: um robô capaz de produzir água a partir do ar

O primeiro lugar da etapa de Sidrolândia ficou com o Blox Ecológico, desenvolvido pelas estudantes Kymberli Alves, Eloa Silva, Allany Souza e Rafaela Vieira, da Escola Municipal Eldorado, assim como o segundo e terceiro lugares. A equipe criou um robô sustentável capaz de captar a umidade presente no ar e transformá-la em água por meio de um processo de condensação alimentado por energia solar. Pensado para auxiliar comunidades e produtores rurais que convivem com a escassez hídrica, o protótipo também poderia ser utilizado para irrigação agrícola em regiões áridas. A proposta chamou a atenção pela combinação entre sustentabilidade, criatividade e uma preocupação concreta com um dos maiores desafios ambientais da atualidade.

O segundo lugar ficou com o projeto Boas Ideias, desenvolvido pelos estudantes Rafaela Torres, Isabella Alves, Julia Souza e Samuel Silva. O protótipo consiste em um trator ecológico movido a energia eólica, capaz de realizar diferentes funções agrícolas, como plantio, irrigação, colheita e reaproveitamento de resíduos orgânicos para a produção de adubo. Já a terceira colocação foi conquistada pelo Carro de Fórmula 1 Coletor de Água, criado por Matheus Silva, Adryan Oliveira, Yan Oliveira e Rafael Cruz. O veículo foi projetado para captar, armazenar e filtrar água da chuva, transformando-a em água potável para comunidades com acesso limitado ao saneamento básico.

São Gabriel do Oeste: uma colheitadeira inteligente para revolucionar o trabalho no campo

Em São Gabriel do Oeste, o destaque foi a Colheitadeira Agrônoma, desenvolvida pela equipe Agrônomas, formada pelas estudantes Nathaly Souza Sobrinho, Mariele Soares Matias Espino, Alana Oliveira da Costa e Laura Pereira Macedo, do 6º e 7º ano da Escola Municipal Senador Filinto Muller. O grupo imaginou uma máquina multifuncional capaz de colher, armazenar e ensacar grãos enquanto realiza simultaneamente a irrigação e a adubação do solo. Alimentada por energia solar e construída com materiais reaproveitados, a proposta busca aumentar a produtividade agrícola, reduzir desperdícios e diminuir o esforço físico dos trabalhadores rurais. A ideia integra diferentes etapas da produção agrícola em um único equipamento, antecipando tendências que já começam a ganhar espaço na agricultura moderna.

Na segunda colocação ficou o robô Luke, um drone sustentável movido a energia solar, criado para lançar sementes em áreas degradadas e monitorar incêndios, erosão e desmatamento. Já o terceiro lugar foi conquistado pelo Robô Faler, projetado para captar a umidade do ar e transformá-la em água para irrigação de plantações em regiões com pouca disponibilidade hídrica. Ambos também são da Escola Municipal Senador Filinto Muller.

Maracaju: robôs que monitoram o solo e ajudam a preservar o meio ambiente

Na etapa realizada em Maracaju, o primeiro lugar foi conquistado pelo P5, criado pelos estudantes Emanuelly Rocha, Henrique Santos, Ana Gabrielly e Beatriz Ramos, da Escola Municipal João Pedro Fernandes. O projeto é composto por dois robôs que trabalham de forma complementar. Enquanto o robô principal monitora o solo e identifica possíveis problemas ambientais, um robô auxiliar percorre áreas da plantação realizando varreduras para localizar degradações e situações que exigem atenção dos produtores rurais. A proposta demonstra como a tecnologia pode contribuir para uma agricultura mais eficiente e sustentável, permitindo o acompanhamento constante das condições do solo e ajudando na tomada de decisões no campo.

O segundo lugar ficou com o Robosol, criado pelos estudantes Fábio Cruz, Luis Marnele, Cauê Pereira e João Nascimento. Segundo eles, o robô agrícola foi desenvolvido para auxiliar em tarefas como plantio, pulverização, colheita e transporte de água. Já o terceiro colocado foi o Avião Monitor e Segurança, idealizado por Pietro Espíndola, Davi Silva, Lucas Sestori e João Santos, uma aeronave inteligente capaz de monitorar plantações, identificar pragas, auxiliar na pulverização localizada e emitir alertas para moradores de áreas rurais.

O futuro começa na sala de aula

Embora desenvolvidos com materiais simples e reaproveitados, os projetos abordam desafios reais da agricultura e da sustentabilidade, como escassez de água, eficiência energética, monitoramento ambiental, automação agrícola e reflorestamento. As propostas mostram como a escola pode ser um espaço de criatividade, inovação e construção das soluções do futuro.

"A agricultura vive uma transformação acelerada e cada vez mais depende de profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, criatividade e visão de futuro. Ver estudantes refletindo sobre temas como gestão da água, sustentabilidade, automação e produtividade mostra que o interesse por esses desafios pode começar muito cedo. Iniciativas como essa ajudam a aproximar os jovens do universo da inovação e mostram que o agro também é um espaço de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento", finaliza Luiz Piccinin, presidente da Áster.