A indústria de máquinas está cada vez mais usando biocombustíveis como etanol, biometano e biodiesel para mover tratores e colheitadeiras. Isso ajuda o meio ambiente e reduz a dependência do diesel, que é caro e poluente. O Brasil tem grande potencial para esse tipo de energia, pois produz muita cana e milho, que viram etanol, e também aproveita restos de lavouras para fazer biogás.
A transição energética já faz parte da rotina do agronegócio brasileiro. Se nos últimos anos o debate esteve concentrado na geração de energia renovável dentro das propriedades rurais, agora um novo movimento começa a ganhar força: a utilização de biocombustíveis para movimentar máquinas agrícolas.
Historicamente, o diesel ocupa posição central na mecanização do campo. Sua ampla disponibilidade e elevada densidade energética ajudaram a impulsionar a modernização da agricultura em diferentes regiões do País.
- O diesel sempre foi o principal combustível para máquinas agrícolas, mas agora os biocombustíveis como etanol, biometano e biodiesel estão ganhando espaço
- O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar e milho, matérias-primas para fazer etanol, e também produz biogás a partir de restos de lavouras
- As máquinas movidas a biocombustíveis têm desempenho parecido com as a diesel, com potência e durabilidade para trabalhos pesados no campo
- Usar biocombustíveis pode ajudar os produtores a economizar dinheiro e a cumprir metas ambientais, reduzindo a poluição do ar
- A transição não vai acontecer de uma vez só - diferentes regiões e culturas vão usar misturas de combustíveis por muitos anos ainda
No entanto, fatores como a volatilidade dos preços internacionais, as metas de redução de emissões e a busca por maior autonomia energética têm estimulado o desenvolvimento de novas alternativas.
Nesse contexto, combustíveis renováveis como etanol, biometano e biodiesel avançam como opções viáveis para aplicações agrícolas. O Brasil reúne características particularmente favoráveis para essa transformação. Além de ser um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar e milho, matérias-primas para a produção de etanol, o País também possui crescente capacidade de geração de biogás e biometano a partir de resíduos agroindustriais.
A possibilidade de transformar subprodutos da própria atividade agrícola em combustível cria um modelo que desperta interesse de produtores e agroindústrias. Em usinas sucroenergéticas, por exemplo, resíduos da produção podem ser convertidos em energia para abastecer parte da frota utilizada nas operações.
Em propriedades com sistemas integrados de produção, o aproveitamento de biomassa também pode contribuir para a diversificação das fontes energéticas.
Novas tecnologias tornam biocombustíveis mais competitivos
Os avanços tecnológicos observados nos últimos anos têm sido fundamentais para tornar esse cenário mais próximo da realidade. Fabricantes de máquinas e motores vêm investindo no desenvolvimento de soluções capazes de entregar desempenho semelhante ao dos equipamentos movidos a diesel, mantendo níveis adequados de potência, torque e durabilidade para as condições severas de trabalho encontradas no campo.
Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que a transição energética na agricultura não deverá ocorrer por meio de uma única tecnologia. Diferentes culturas, regiões e modelos produtivos tendem a demandar soluções específicas, o que abre espaço para a convivência de múltiplas matrizes energéticas ao longo das próximas décadas.
Além dos ganhos econômicos associados à diversificação do consumo de combustíveis, a adoção de fontes renováveis também pode contribuir para o cumprimento de metas ambientais.
Dependendo da origem da matéria-prima e do processo produtivo utilizado, biocombustíveis apresentam potencial significativo de redução das emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis.
Embora desafios relacionados à infraestrutura, escala de produção e viabilidade econômica ainda precisem ser superados, o avanço das pesquisas e dos projetos-piloto indica que os biocombustíveis deverão desempenhar papel cada vez mais relevante na mecanização agrícola. Trata-se de uma transformação que conecta produtividade, segurança energética e sustentabilidade, temas que tendem a ocupar posição estratégica no futuro do agronegócio brasileiro.
Fabricio Natal é vice-presidente Global de Engenharia da AGCO.



