Carregando...
 

Para ver o Player atualize seu Flash Player.
Aguardando...

08 de junho de 2026

?? ºC São Paulo - SP
?? ºC Salvador - BA
?? ºC Cuiabá - MT

Agricultura autônoma: máquinas inteligentes e o papel do produtor

Agronegócio Autonomia 08/06/2026 16:35 Denis Arroyo agfeed.com.br

A agricultura autônoma usa inteligência artificial para ajudar no campo, mas não substitui o produtor. Pelo contrário, ele passa a ter mais responsabilidade para supervisionar e validar as decisões das máquinas. Entenda como essa tecnologia está mudando o trabalho no agro e os desafios para o Brasil.

A agricultura autônoma está sendo mostrada como uma resposta natural para os problemas do agronegócio de hoje. A pressão por ser mais eficiente, a falta de mão de obra, o clima imprevisível e a necessidade de ter mais certeza nas operações têm feito crescer o uso de sistemas de inteligência artificial no campo.

Mas isso não significa que as máquinas vão simplesmente substituir as pessoas. Na prática, o que está acontecendo é uma mudança no trabalho do produtor. Ele deixa de fazer tarefas diretas e passa a acompanhar, validar e ajustar as decisões que os sistemas inteligentes tomam.

  • A agricultura autônoma não tira o emprego do produtor, mas muda a função dele para algo mais estratégico.
  • Nos Estados Unidos, a tecnologia é mais usada porque há mais infraestrutura digital e regras claras.
  • No Brasil, apesar de ser competitivo, existem regiões com pouca internet e isso dificulta o uso de máquinas autônomas.
  • O dinheiro para adaptar o campo às mudanças do clima é insuficiente e mal distribuído.
  • A inteligência artificial no campo exige que o produtor entenda bem o sistema e saiba tomar decisões corretas.

É uma mudança importante. Ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de trabalho operacional, aumenta a responsabilidade sobre decisões que são guiadas por algoritmos. Nesse cenário, adotar tecnologia não é só ter acesso a ela, mas saber gerenciá-la bem.

O agronegócio mundial está crescendo e deve continuar assim na próxima década. Mas isso não resolve os problemas do setor. Pelo contrário, o crescimento acontece em um ambiente cheio de incertezas, como clima, crédito e questões políticas entre países.

Esse cenário limita o uso de máquinas que tomam decisões sozinhas, especialmente em lugares onde ainda é difícil prever o que vai acontecer.

Comparar Brasil e Estados Unidos ajuda a entender isso. Lá nos EUA, a infraestrutura digital é mais forte, as regras são mais previsíveis e há uma ligação melhor entre pesquisa, dinheiro e mercado. Isso facilita o uso de tecnologias de monitoramento.

No Brasil, apesar de o setor ser competitivo e usar tecnologia em várias áreas, ainda existem diferenças grandes. Temos áreas muito modernas e outras com pouca internet e integração, o que dificulta o acompanhamento constante dos sistemas autônomos.

Ao mesmo tempo, o Brasil está exportando mais, o que torna as decisões na produção mais complexas. Mais produtores estão vendendo para fora, o que exige mais eficiência, rastreamento e cumprimento de regras.

Isso fica ainda mais difícil por causa da falta de dinheiro para projetos de adaptação ao clima. A diferença entre o que é necessário e o que é investido mostra não só falta de recursos, mas também problemas em aplicar esse dinheiro da forma certa.

Por isso, a discussão sobre agricultura autônoma precisa ser mais precisa. A questão não é se as máquinas conseguem trabalhar sozinhas, mas se o setor consegue criar formas de supervisionar, validar e assumir a responsabilidade pelas decisões que a tecnologia ajuda a tomar.

Autonomia sem controle aumenta os riscos. Mas, quando combinada com uma supervisão de qualidade, ela tende a deixar o setor mais forte diante de um mundo cada vez mais instável.

Usar inteligência artificial no campo, portanto, não elimina o fator humano. Ele muda o lugar da pessoa. E, ao fazer isso, exige mais de quem toma as decisões.

Denis Arroyo é vice-presidente Global da Solinftec.