01 de junho de 2026

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Governo quer juros mais baixos no Plano Safra para ajudar agricultores

Agronegócio PlanoSafra 01/06/2026 16:26 Cristiane Noberto cnnbrasil.com.br

O Ministério da Agricultura está pedindo que as taxas de juros para o custeio do próximo Plano Safra, o programa de crédito para agricultores, sejam de apenas um dígito, com o objetivo de facilitar o acesso dos produtores rurais ao dinheiro. A pasta quer que o anúncio do programa não seja adiado e que o valor total fique perto dos R$ 623 bilhões pedidos pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O Ministério da Agricultura quer que os empréstimos para custear as plantações no próximo Plano Safra tenham juros de apenas um dígito. Quem disse isso foi o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, em entrevista à CNN.

Ele explicou que a pasta está pedindo isso ao Tesouro, ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil.

  • No ciclo atual, os juros para custeio empresarial chegaram a 14% ao ano, porque a taxa básica de juros (Selic) estava em 15%.
  • O governo quer taxas mais baixas para que os agricultores consigam pegar mais dinheiro emprestado.
  • A agricultura familiar já conseguiu taxas de 4% e 6% ao ano, e todo o dinheiro disponível foi usado.
  • O próximo Plano Safra deve ter um valor próximo de R$ 623 bilhões, como pediu a CNA.
  • O secretário disse que não vai haver atraso no anúncio do programa, porque o calendário de plantio não pode esperar.

Campos acha que esse debate sobre juros ficou ainda mais importante por causa das dificuldades que os agricultores enfrentaram nos últimos anos e porque a taxa básica de juros alta atrapalha o crédito.

Ele deu um exemplo: as taxas para a agricultura familiar, que são de até 4% e 6% ao ano, foram todas usadas pelos agricultores. Isso mostra que, quando os juros são mais baixos, as pessoas procuram mais o financiamento.

No ciclo atual, o governo liberou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas só conseguiu pagar os juros de R$ 113,8 bilhões desse total menos de um quarto do valor porque faltou garantia do governo.

O secretário tem medo de que isso se repita no próximo ciclo se o seguro rural e o problema das dívidas não forem resolvidos junto com o Plano Safra.

Mesmo com as negociações ainda acontecendo, Campos descartou a possibilidade de atrasar o anúncio do Plano Safra. Ele disse que o calendário da agricultura não pode ser mudado pela política. "O tempo de plantar é independente de qualquer coisa. Está no Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Esse calendário nem a política consegue mudar", afirmou.

Sobre o valor do próximo ciclo, Campos disse que o Plano Safra deve ficar perto do que a CNA pediu. A entidade quer R$ 623 bilhões, um aumento de 53,5% em relação aos R$ 405,9 bilhões do ciclo anterior. "Está muito próximo daquilo que a CNA pediu", disse o secretário.

Mas ele fez uma ressalva: o valor total não é o maior problema. "O que mais preocupa é o acesso a esse dinheiro. Do jeito que está, pode repetir o que está acontecendo com o financiamento, que tem recurso, mas não chega ao agricultor."

Para mudar isso, Campos acha que o seguro rural e as dívidas precisam ser resolvidos junto com o Plano Safra. "Tem que ser adequado para o setor e para este momento", disse.

A definição das taxas de juros é considerada um dos pontos mais importantes da negociação do próximo Plano Safra, que deve ser anunciado até o fim de junho.