O Brasil está enfrentando problemas para vender sua carne para outros países, como a União Europeia e a China, que estão exigindo mais qualidade e controle. Isso acontece porque o país não tem um sistema moderno para rastrear cada animal, o que gera desconfiança. É preciso agir rápido para resolver isso e não perder mais negócios.
A recente série de problemas nas vendas de carne bovina brasileira mostra uma crise que vai além de questões sanitárias simples. Nos últimos dias, a União Europeia tirou o Brasil da lista de países que podem exportar carne, e a China suspendeu mais três frigoríficos. Essa situação não é por acaso, mas sim o resultado de fraquezas que o país não corrige. Mas a pergunta, que muitos evitam, é direta: estamos dando motivos para essas retaliações
Para entender o que está acontecendo, é preciso olhar as regras internacionais. Tanto a União Europeia quanto a China estão exigindo mais controle de qualidade, sanitário e ambiental. A carne brasileira, que já era desconfiada por causa do desmatamento ilegal, agora vê sua credibilidade caindo por falhas na fiscalização.
- A União Europeia e a China estão barrando a carne brasileira por falta de controle de qualidade e rastreamento.
- O Brasil prometeu criar um sistema de rastreamento individual dos bois, mas até agora não colocou em prática.
- Países como Argentina, Uruguai e Paraguai não sofreram as mesmas restrições, mostrando que o problema é interno.
- As auditorias internacionais encontraram substâncias proibidas e falhas na identificação da origem dos animais.
- Se o Brasil tivesse um sistema de rastreamento confiável, poderia provar que sua carne é segura, evitando as suspeitas.
Mas as penalidades não são atos sem motivo. Elas acontecem por causa de problemas encontrados em auditorias, como a presença de substâncias acima do permitido, erros na identificação da origem dos animais e falhas nos sistemas de controle. Quando um país fecha suas portas, não está apenas punindo, mas protegendo seus consumidores e sua própria reputação.
No entanto, a ideia de que o Brasil é vítima de retaliações comerciais escondidas em barreiras sanitárias precisa ser revista com honestidade.
No caso da União Europeia, por exemplo, o Brasil foi avisado em 2023. Embora existam interesses políticos e protecionismo, o Brasil tem dado motivos para críticas. Por que Argentina, Uruguai e Paraguai não sofreram as mesmas restrições Talvez a resposta esteja na falta de ações efetivas e de transparência.
Por exemplo, no final de 2024, o Brasil aprovou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), que até hoje não foi implementado porque simplesmente não existe um sistema capaz de conectar os dados estaduais com a base federal. Infelizmente, esse tem sido o ponto fraco da pecuária nacional. Sem um sistema forte de rastreamento individual, não há como provar, com precisão, que um lote de carne não está ligado a áreas desmatadas ilegalmente ou a falhas sanitárias.
O que é a rastreabilidade individual
A rastreabilidade individual não é um sonho distante, mas uma tecnologia já disponível e usada por todos os nossos grandes concorrentes. Se fosse implementada em larga escala no Brasil, ela transformaria a pecuária em um setor de transparência total. Mais do que isso, daria ao Brasil um argumento forte contra acusações infundadas.
Se a rastreabilidade individual brasileira funcionasse, a situação atual seria radicalmente diferente. O Brasil não teria que se defender de suspeitas genéricas e simplesmente poderia apresentar dados concretos de cada lote exportado. As auditorias internacionais deixariam de ser um jogo de adivinhação e se tornariam verificações de sistemas confiáveis. A União Europeia e a China, em vez de suspenderem unidades, estariam negociando acordos baseados em evidências.
O Brasil precisa decidir se continuará reagindo a embargos com promessas de melhoria ou se adotará, de uma vez por todas, a rastreabilidade individual como estratégia principal. O momento exige ação concreta, não palavras.
É hora de agir, e não apenas reagir!
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.



