A Embrapa inventou um novo tipo de calcário, que é um produto usado para preparar a terra para o plantio. Esse novo calcário é mais forte, não perde qualidade com a chuva ou o vento, e ainda leva nutrientes para as plantas crescerem mais fortes e saudáveis.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou um novo tipo de calcário que dá menos prejuízo e economiza dinheiro na hora de preparar a terra para plantar. Esse produto melhora o solo, deixando ele menos ácido (o que é medido pelo pH), e também ajuda a lavoura a produzir mais.
- O novo calcário vira um tipo de granulado, não um pó que o vento leva embora
- Ele não endurece com a umidade, então não estraga no armazenamento
- Além de corrigir o solo, ele agora também alimenta as plantas com nutrientes
- Pode ser usado em vários tipos de plantação, como soja, milho e café
- Ajuda a planta a ficar mais forte, podendo até precisar de menos veneno
O calcário foi recriado pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa. Ele é feito com uma técnica especial de moagem que deixa os materiais do tamanho de átomos e moléculas. Depois, as partículas são unidas para formar grânulos mais resistentes e uniformes.
O resultado é que o calcário vira um granulado. Em vez de ser jogado como pó, que o vento espalha, ele pode ter vários tamanhos e ser distribuído sem ser levado pelo ar. Outra vantagem é que esse novo calcário estraga menos com a umidade do armazenamento e do transporte.
A umidade faz o calcário comum virar uma pedra, e o produtor perde dinheiro porque não pode mais usar o produto nas máquinas agrícolas.
O trabalho dos pesquisadores transformou o calcário em um produto que faz mais de uma coisa. Além de corrigir a acidez do solo, na nova versão ele também virou um adubo: um fertilizante que pode ser usado em pastos e em culturas como algodão, café, cana-de-açúcar, milho e soja.
Culturas diversas
Nós fizemos vários protótipos com concentrações diferentes para atender a vários tipos de plantação. Também foi possível misturar proporções diferentes desse calcário, explica o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador da Embrapa.
Com a nova receita, o calcário, que já era rico em cálcio ou magnésio para corrigir o solo, agora pode também ter nutrientes como nitrogênio, fosfato, potássio, boro, cobre e zinco. Tem plantações que precisam de mais de alguns nutrientes e outras, de menos. Para cada cultura, existe uma composição ideal, diz o pesquisador.
Produtividade
A expectativa de Silva é que o novo produto deixe a lavoura mais saudável e produtiva. A ideia principal quando se corrige a acidez e se adiciona nutrientes em um produto é ganhar produtividade, deixando a planta mais saudável e, assim, trazendo benefícios para a plantação.
O calcário nanoestruturado pode até diminuir a quantidade de agrotóxicos usados na lavoura. Ainda faltam testes com diferentes pragas para garantir isso. Mas, se a planta está bem alimentada com os nutrientes certos, ela pode ficar mais protegida de coisas que atrapalham seu crescimento.
Funciona mais ou menos como a gente. Quando estamos bem alimentados, nosso sistema de defesa funciona melhor, compara o pesquisador Andre Felipe Camara Amaral.
Escalas
O novo calcário já foi produzido em tamanhos diferentes, desde pequenas quantias de laboratório (10 gramas) até grandes quantidades industriais (toneladas). Sua eficiência foi testada em plantações de soja e trigo.
Os resultados mostram que os protótipos continuam corrigindo o solo de forma adequada e podem ajudar a ganhar mais produtividade e reduzir o trabalho no campo, diz uma nota técnica da Embrapa.
Os testes fora dos laboratórios da Embrapa foram feitos pela Perical, uma empresa brasileira que tem unidades em Goiás e Tocantins e é especializada em mineração de calcário para agricultura.
Há mais de três anos, a empresa fez um acordo com a Embrapa que permitiu contratar pesquisadores, comprar equipamentos e pagar pelos materiais usados para criar o calcário nanoestruturado.
A Embrapa é uma empresa do governo ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Desde que foi criada, em 1973, seus cientistas pesquisam e criam tecnologias novas para a agricultura e a pecuária.

Laboratório de nanotecnologia da Embrapa onde o novo calcário é produzido.



