A empresa CTC, que cria variedades de cana-de-açúcar, teve um grande aumento no lucro e na participação no mercado na safra 2025/2026, mesmo com uma colheita mais difícil no Brasil. Eles estão investindo em novas tecnologias, como sementes sintéticas, que podem baratear o plantio.
Mesmo com uma safra mais difícil para a cana no Brasil, o CTC fechou o período de 2025/2026 com aumento na receita, no lucro e na participação no mercado de variedades de cana-de-açúcar.
- A receita líquida da empresa cresceu 11,3%, chegando a R$ 470,5 milhões.
- O lucro líquido subiu 23,2%, para R$ 216,5 milhões.
- A participação da CTC nos canaviais brasileiros saltou de 26% para 32%.
- O grande destaque foi o avanço das novas variedades de cana, que são mais produtivas.
- A empresa está investindo pesado em sementes sintéticas, que podem reduzir o custo do plantio.
Resultados financeiros da safra
No balanço da safra 25/26 (de abril de 2025 a março de 2026), a empresa de pesquisa registrou uma receita líquida de R$ 470,5 milhões, um crescimento de 11,3% na comparação com os R$ 422,6 milhões do ano anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de R$ 218,7 milhões, um avanço de 10,4% na comparação anual. Já o lucro líquido cresceu 23,2%, chegando a R$ 216,5 milhões. As margens da empresa continuaram altas: 46,5% no Ebitda e 46% na margem líquida.
Ganho de mercado
A empresa atribui o bom desempenho principalmente ao avanço das variedades mais recentes de cana e ao ganho de participação de mercado. Na safra, a participação do CTC no plantio dos canaviais brasileiros subiu seis pontos percentuais, passando de 26% para 32%.
"Fazia muitos anos que não ganhávamos tanto espaço em um único ano", disse César Barros, CEO do CTC, em conversa com o AgFeed.
Entre as safras 23/24 e 24/25, o avanço havia sido de três pontos percentuais. Segundo o executivo, o crescimento veio principalmente das variedades lançadas a partir de 2020.
Variedades novas puxam a receita
O balanço mostra que 81% do plantio dos clientes já usa variedades recentes. O crescimento da receita foi impulsionado pelos royalties dessas variedades mais novas, especialmente nas regiões de Minas Gerais, Mato Grosso, Araçatuba e Nordeste.
Apesar do avanço no ano, o último trimestre (de janeiro a março deste ano) mostrou uma queda no Ebitda e no lucro líquido.
Segundo o CFO e diretor de RI, Paulo Polezi, a piora na rentabilidade no trimestre já era esperada por causa da concentração de despesas nessa época do ano, principalmente ligadas ao projeto de sementes sintéticas, ampliação dos testes e reforço da infraestrutura operacional.
"O CTC é uma empresa de pesquisa e desenvolvimento, e por isso tem sua plataforma de projetos como espinha dorsal. Ao mesmo tempo, somos uma empresa previsível em termos de receita, pois ela está vinculada à área plantada. O topo da receita é previsível, e o que acaba variando são as despesas", disse Polezi.
A receita com royalties avançou 13,1% na comparação anual, chegando a R$ 503,6 milhões.
Safra desafiadora, mas empresa cresce
Enquanto o CTC avança, os canaviais tiveram uma safra mais complicada. Segundo estimativas da própria empresa, a moagem de cana no Brasil caiu 0,5% em 2025/26, para 673,2 milhões de toneladas, impactada por menor produtividade após restrições de água, altas temperaturas e incêndios.
Mesmo assim, a companhia conseguiu crescer mais que o mercado, apoiada em um modelo de receita baseado em royalties por hectare plantado.
Investimentos e novas tecnologias
O ciclo também foi marcado por uma aceleração grande nos investimentos. O Capex totalizou R$ 139 milhões na safra, uma alta de 142% em relação ao ciclo anterior.
A maior parte dos recursos foi para a inauguração da UPS, a primeira unidade de produção de sementes sintéticas de cana, além da expansão de laboratórios e novos polos produtivos.
Em pesquisa e desenvolvimento, os investimentos somaram R$ 268 milhões, um crescimento de 14,6% em um ano.
Lançamentos e futuro
Dentre os destaques do pipeline tecnológico, na área de melhoramento genético, o CTC lançou o CTC Advana, uma linha que promete mais produtividade. Segundo o CEO, esse foi o "maior lançamento da história da empresa" e já está em mais de 90% das empresas de cana do país, seja em viveiros ou áreas comerciais.
A empresa também anunciou que lançará o CTC Advana 2, focado em solos mais pobres, um mercado de 4 milhões de hectares só no centro-sul do Brasil.
"Não faz nem 12 meses que lançamos o Advana 1 e já lançamos agora o Advana 2. E as performances dos programas de melhoramento em fases iniciais seguem nos enchendo de entusiasmo", disse o CEO.
Outra novidade foi a aprovação regulatória da plataforma VerdPRO2, uma nova geração de cana transgênica resistente à broca e a herbicidas como o glifosato. Barros diz que o VerdPro2 é apenas um dos 14 produtos atualmente em desenvolvimento na companhia.
Sementes sintéticas: a aposta do futuro
A grande aposta do ano e dos próximos é a plataforma de sementes sintéticas de cana. A temporada marcou a inauguração da unidade de sementes sintéticas, uma tecnologia que reduz o uso de mudas de 16 toneladas para 400 quilos por hectare, tornando o plantio mais leve e barato.
O laboratório custou R$ 100 milhões, com parte dos recursos vindos da Finep e do BNDES, e faz parte de um plano de R$ 1 bilhão desde o início do desenvolvimento até a etapa comercial. Barros diz que essa primeira fábrica já plantou 20 hectares com a nova tecnologia.
"As sementes estão bem estabelecidas no campo, e a taxa de pegamento e de germinação está fantástica. Foram plantadas quatro variedades, e a meta é chegar a 100 hectares nesse próximo ano com o plantio de sementes", disse.
Segundo ele, a unidade é fundamental para ganhar escala de testes em diferentes clientes e solos.
Perspectivas financeiras
Na parte financeira, o CTC encerrou a safra com posição de caixa líquido de R$ 501,7 milhões, mesmo após o aumento dos investimentos.
A perspectiva para os próximos anos também é positiva. A empresa estima R$ 1,4 bilhão em receitas futuras já contratadas para os próximos anos, sendo R$ 826 milhões a serem reconhecidos nas próximas duas safras e R$ 585 milhões de três a cinco temporadas - isso sem contar lançamentos que sairão do laboratório e ganharão o campo daqui para frente.

CEO do CTC, César Barros


