A União Europeia está criando novas regras para a importação de alimentos de origem animal, como carnes, ovos e mel. Isso pode prejudicar o Brasil, que vende quase 2 bilhões de dólares desses produtos para o bloco europeu. A indústria brasileira de alimentos está preocupada e pede diálogo para evitar prejuízos.
As novas regras da União Europeia para a compra de proteínas animais podem prejudicar as vendas brasileiras de alimentos processados, que somam 1,85 bilhão de dólares. O alerta foi feito pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). A entidade diz que é importante ter regras claras para que o comércio entre os dois lados continue funcionando bem.
A Comissão Europeia avisou que pode colocar restrições às compras de alguns produtos brasileiros de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026. A medida faz parte de novas regras sobre o uso de remédios que combatem bactérias (antimicrobianos) na criação de animais. O objetivo da Europa é diminuir a resistência a esses remédios.
- O que está em jogo: O Brasil pode perder 1,85 bilhão de dólares em vendas de alimentos para a Europa.
- Produtos afetados: Carne bovina, frango, mel, ovos, tripas e produtos de pesca estão na lista.
- Quando começa: As novas regras podem valer a partir de 3 de setembro de 2026.
- Motivo da Europa: A União Europeia quer controlar o uso de remédios que combatem bactérias na criação de animais.
- O que o Brasil diz: O governo brasileiro e a indústria afirmam que o país tem bons sistemas de controle e querem negociar uma solução.
A ABIA informa que as restrições podem afetar áreas importantes das vendas brasileiras, principalmente carne bovina e de frango, além de mel, ovos, tripas e produtos de pesca. Em 2025, esses produtos representaram 21,3% de tudo que o Brasil vendeu de alimentos processados para a União Europeia.
Cleber Sabonaro, gerente de inteligência da ABIA, acredita que a restrição é um problema temporário. "A União Europeia é um parceiro comercial importante e essa é uma dificuldade que aparece logo no início do acordo entre os blocos. Confio muito na capacidade do Ministério da Agricultura para resolver isso o mais rápido possível", disse ele.
Para a associação, o Brasil tem sistemas de controle, inspeção e certificação sanitária feitos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que são reconhecidos no mundo todo. O Brasil vende seus produtos para mais de 190 países e segue regras sanitárias diferentes de cada um.
A ABIA pede que as autoridades do Brasil e da Europa conversem mais para encontrar soluções baseadas em estudos científicos e regras internacionais. Segundo a entidade, ter regras previsíveis é fundamental para manter a competitividade do setor e evitar problemas para produtores, indústria e consumidores.
A associação também lembra que essa discussão acontece no momento em que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser aplicado. Para a ABIA, alinhar as regras sanitárias e técnicas será muito importante para garantir estabilidade e transparência no comércio entre os dois blocos.

Grace Cary/GettyImages


